Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018
...

Procuro no efémero a vulgaridade.

Nada mais do que a vulgaridade.

 

Porque haveria de querer vida de santo

Ou mordomias de sindroma de poder

Se tenho todas as coisas que do mundo

São minhas e me fazem crescer

Desde sempre, ontem, hoje e até morrer

 

Procuro no efémero o transitório

Agarro a luz e fico nevoeiro, orvalho

E num fresco rodopio de vento

Olha as estrelas que do firmamento

Me dizem que tudo é universo.

 

Sou tornado vitral e sentimento

 

Nada mais do que os momentos

Um somatório de girandolas numa iris

Fazem a felicidade de ter flores

Numa janela. 

 

A cidade é um vulcão

Não quero nada com ela.



carlos arinto maremoto às 09:55
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018
luzidio obscuro e sagaz

linhares.17.JPG

 Vem do alto das montanhas e enche de sorrisos o rosto das crianças

Tudo à volta é selvagem e desconhecido, pleno de luz e corpo novo

São as trovoadas do inverno a substituirem-se ás gentes que houve

Nas ribeiras que agora crescem sozinhas e desaguam em futuros novos

 

O frio, e a geada são companhia. de manhã em espesso nevoeiro.

À tarde em dourados bailes nas folhas verdes do etéreo calendário

 

Onde estão as gentes da beira-serra? Onde desapareceu o moinho,

O lagar, a azenha, as pedras de xisto empilhadas com o saber antigo?

Onde estão os avós e os que antes desses foram nossos pais?

Apenas ficou a natureza e a sua generosa brutalidade despida.

 

Um sol clarissimo embala toda a serra que cria a ribeira e os poços

Onde os chãos fermentam vida e apaziguam lumes ancestrais

Não se ouvem outros cantares que o silencio que a água cria

 

E a alma de quem se atreve fica mais velha, mais triste, mais só.

Perdida nos gostos de outrora, como se o mundo fosse hoje

O absoluto, obscuro, e estupido abandono de todo o  sagrado.

 

E tudo descansa na tranquilidade da paz que é nada! 

(beleza, dirão, pois que seja, mas que os meus olhos a vejam)

E o mundo segue perfeito, mais uma vez, no rosto de uma criança

Bamboleante no rastilho de uma estrela magica adormecida.

 

 



carlos arinto maremoto às 18:32
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018
Peregrinação

Os percursos são caminhos que nos unem

Vias e estradas que nos conduzem, faróis que nos orientam

Os percursos levam-nos. Arrastam-nos. Trazem-nos de volta

 

Entre o percurso e o caminho está o pisar do chão

A pedra, o cascalho, a lama e os sonhos

 

O mundo pode ser um casino, uma lotaria ou coisa nenhuma

Somos nós que somos o mundo.

 

Os percursos são caminhos que nos separam

Sulcos que deixam marcas, luzes que nos cegam e inebriam

Vozes, doenças, amores, ilusões… risos e choros.

 

Uma abelha fecunda a sombra de onde nascem os sorrisos

E depois chapinhamos na militância da velocidade

Desaparecendo no vórtice da voragem e no eclipse dos rostos

 

Todos os rostos são meus. Eu sou a saudade!



carlos arinto maremoto às 19:06
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
Novo ano, ano novo

Um certo amanhecer cheio de luz,

Água, vento, réstias de ontem pelo chão.

 

Barcos e aviões na chegada

Festas e familia na consoada do encontro.

Um dia colorido, um erguer de janeiro

Sinto-me outro, sendo o mesmo

Juro que sou igual, mas envelheci.

 

Um certo amanhecer que me embala

Uma lágrima que também é sorriso

 

Penso que o tempo é ilusão, mas sinto

A dor que se instala nos ossos

(quem não quer ser jovem outra vez?)

A memória, a recordação, o arrependimento

De qualquer coisa que não fiz

Abana-me o corpo e o juizo

Chama-me á razão, grita-me aos ouvidos

Devolve-me o chão, o céu e os sentidos

E anuncia que a vida continua.

E nisto...neste desvario embriegado,

Um certo amanhecer me diz:

- Tens razão!

A vida é um tufão.

 

Olho o teu retrato e sou feliz.



carlos arinto maremoto às 18:22
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