Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Segunda-feira, 22 de Março de 2021
Adorável Maio

Enquanto o mar floresce

Porque é primavera

E os pássaros voam (de volta aos ninhos)

E porque a luz se torna quente

E os corpos se distendem em iris

Em desejo e em chama

Os peixes rumam ao sul ou escalam rios

Fazendo a vida girar como cometa

E no silencio de um vento suão

Deus é o Diabo e o Diabo é Deus.

 

Maio é o mês que nos liberta

E nos restitui a vontade de viver.

 



carlos arinto maremoto às 18:44
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Sábado, 6 de Março de 2021
A nossa terra

A nossa terra, minha, 

Dos meus pais, dos meus avós

E dos meus filhos e netos será. 

Terra que guarda o primeiro choro 

Do nascimento, o riso da alegria

O batismo, o casamento

E a vida dura de serras e sol

De frio e geadas... de trabalho

Para lapidar os socalcos, os cumes

As poças, as nascentes e o milho 

As uvas também e a cabra trepadeira

E hoje de novo a paisagem

E o xisto que nos torna beirões 

Ágeis como o açor e resistentes. 

 

A nossa terra

Cujos cheiros são perfume

Na saudade de um regresso

Numa espera de um abraço 

Numa vontade de futuro. 

 

Eu quero ter um chão para amar! 

A minha terra. 

 



carlos arinto maremoto às 20:42
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Mural II

Todos os dias são véspera 

Mas o hoje é infinito 

Tem a luz da liberdade! 



carlos arinto maremoto às 18:09
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
Mural

Com palavras e imagens se constroi

A vida e o futuro. O céu é feito de arte

E o belo a essência da vida. 



carlos arinto maremoto às 03:09
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2021
o eterno esquecimento

Havia uma neblina na nossa paisagem,

Uma luz filtrada, uma morgana visão

Uma distorcida imagem do que somos 

E quem somos. Afinal quem somos?

 

E a serra aqui tão perto e desconhecida

E modificada

E os nossos ancestrais ignorados

E a vida escorraçada

E o queixume das almas penadas

Em danças de exaltação à volta de uma harmónia

De uma fogueira e de uma arguardente.

 

Glória a quem preserva.

Dos faraós, aos nossos avós.

No Açor, como na Beira e da estrela serra

Agora e na hora de sempre.

Que a morte não nos apanhe distraidos

Na armadilha da demência.

 

Adulterar é ainda pior do que ignorar.

Sejamos verdadeiros

E quem não sabe, que se cale.

Esquecer, nunca!



carlos arinto maremoto às 07:50
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2021
A véspera

Depois do frio, da neve, da geada

Depois dos agasalhos e dos dias nocturnos

Comecemos como se tudo estivesse a despontar, 

A começar a irromper.

Porque tudo está prestes a renascer

Porque hoje é Primavera, porque hoje é véspera 

 

Hoje é o amanhã que se reconstrói 

E o todo depois que virá em luz

Em nitidez em harmonia e em verdade,

Depois da véspera: o dia.

 

Parabéns! O meu filho nasceu

No dia em que a liberdade se levantou,

Ergueu as asas e voou.

Tudo ficou para sempre diferente, melhor, 

Foi de véspera que se preparou.

 

É a minha vez de recuar e deixar o mundo viver.

 

Hoje é véspera e despedida. Amanhã alvorada 

Depois a estrada e mais longe, lá onde a vida fervilha

A tua luz e as memórias de sermos o mesmo, 

(O universo onde tudo passa tão depressa,)

Que tu és, e eu já não sou.

Ambos desejando o que fomos, o que somos. 

 

E tudo se enxameia e desaparece. 

Recorda-me apenas com amor. 

 

 



carlos arinto maremoto às 13:05
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Um livro, uma história, uma romance, uma aventura

Carlos Arinto2.JPG

 



carlos arinto maremoto às 12:21
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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2021
       NAS ASAS DO MEU AMOR, VOAM OS ANJOS

               

tablet 183.jpg

 

                A ideia é angraçada. Poema da latinidade, mas eu não tenho nada!

                Nem meu corpo já resiste, onde insistes em me encontrar, porque não estou aqui

                Nem ao vento, nem ao luar. Morri!

 

               Sou talvez um extra. Que se oferece como brinde, promoção e resto de stock

               Para o cliente, sou um destralhar. Vês, como me ignoro, anda daí vem almoçar!

 

              Seduzido, enganado, o meu amor dá-me a mão e segurando um copo de vinho

              Festejamos o inverno, a primavera e o verão, e juntos connosco, outros virão.

 

 

            Carlos Arinto



carlos arinto maremoto às 22:08
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2021
Morremos

É nas coisas bonitas, como o mar,

Que morremos

É nas coisas que amamos, como tu

Princesa, que morremos!

E nas coisas deslumbrantes que existam

Como o sol, que morremos. 

É na sombra de um luar, riscado de nuvens

Que morremos. 

É nos amigos que nos abandonam

Que morremos.

É na ausência do teu corpo e do teu sorriso

Que morremos. 

 

E todo o mundo fica diferente, 

Sendo igual. 



carlos arinto maremoto às 16:59
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2021
Bipolaridade e sonhos devassos

Incendeiam-se as tardes, que ainda são de inverno

E um nevoeiro cresce na silhueta das luzes frouxas dos candeeiros 

Enquanto uma chuva, miudinha, espalha borra e cinza

Sobre as cabeças dos poucos que arriscam andar na rua. 

 

Um éspelho de águas geladas mostra o rosto granitico

Que esculpido nos caboucos das fragas já lá estava

Ainda a ribeira e os poços não eram nascidos.

 

Sim, tu és muito anterior ao dilúvio à glaciação à natividade.

E agora que é verão, e que as águas voltaram a descer

O cabelo amadurece e as trelicias dos teus olhos azuis

São muxarabiês como velas de barcos a nevegar no Tejo da latinidade.

 

Amo-te, porque te vi nascer e na beleza do cristal te beijo.

A noite cobre o sagrado manto da nossa liberdade 

E voando sobre os telhados de Lisboa adormecemos

 

Porque o nosso destino é estar no infinito. 



carlos arinto maremoto às 18:20
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2021
Ser como um rio

Antes de serem rios

As águas já eram rostos...

O teu rosto!

 

Antes do teu rosto havia nuvens

E toda a terra estava em silêncio.

Depois as nuvens deixaram-se plainar

E formaram os rios, os lagos e os mares

 

Em cada espelho lá estava o teu rosto

Em todos os caudais a tua presença

E a natureza viu que era bom!

 

Um rio que sorri e se engrandece

Um rio que não pára quieto

Um rio que se transforma, transformando

Um rio que desagua em beleza e em sentimento

Um rio que é a tua cara

E se revela no infinito do antes

Para se tornar no infinito do depois.

 



carlos arinto maremoto às 17:21
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2020
Inverno em covas

Aqui não há barcos 

A água escorre naturalmente

Das montanhas

E depois, desaparece em caudais 

Ou em serpentina pelo chão.

 

Nas margens repousam fios de verdes

Castanho de folhas e musgo. Acácias, 

Carqueja, carvalhos, camélias 

E diospiros como luzes de natal. 

 

Toda a montanha se esvai

E sossega por entre penedos e rochas

Que se erguem do chão

E se espalham por povoados

De gente, de bichos e de silêncio. 

 

Há um sol luminoso fazendo espelho

Das águas, dos rios, das quedas

Na força bruta constante de fazer caminho. 

Há um sol que acaricia toda a vida

E torna o frio, o gelo e a névoa

Parceiros dos que chegam, cumplices

Dos que estão. 

 

O Inverno hiberna, é nos com ele

Sentamo-nos à fogueira para ouvir uma história.

Sabendo que hoje já nada é assim,

Mas insistimos, pode ser que pelo sonho

Nos tornemos mais jovens! Pode ser!

 

Embrulhados no frio. Revivemos! 



carlos arinto maremoto às 10:33
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2020
Novos autores

Há sempre aberrações 

São conversas, 

Diálogos, troca de impressões. 

Acredito que está a acontecer 

Agora, que foi assim,

Que a atitude conta

Que o palheiro está cheio 

E cheira a bosta, 

A urze, a flores mortas

A pêlo de animais.

Dei a minha leitura ao escritor

E ele fez literatura e não livro, 

De fantasma a anjo, 

E depois tudo ficou xiqueiro

Porque era aí que me sentia bem

Não por temporadas

Mas para sempre! 

 

Onde estão os novos? 

Os autores e os outros! 

A vida e a pigmentação 

As horas e as saudades. 

 

Não deixar morrer os autores

A literatura não são histórias. 

 

 



carlos arinto maremoto às 10:40
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2020
Êxtase

É uma onda que vai subindo

Um crescendo em forma de lua

Uma batida contínua 

Um arrepiar 

Uma boca que se abre

Um grito

Um som de cascata a desabar

E na espuma que se asperge

Serpentinas de mil cores 

Pétalas, rosas, flores, 

Um batuque pauliteiro

Um fustigar

E quando todas as coisas se unem

Meu amor

Assim ficamos em festa

Em explosão, em fogo de artificios

Consumados. 

 

Em êxtase. 

 

Texto escrito após audição do tema "road house blues" dos Doors, cantado por Miley Sirus, com um grupo de músicos excelentes. 

 

 



carlos arinto maremoto às 21:57
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Talvez

Alta noite

Acordo cheio de frio

Sonhando

O que já não sei contar

Em nenhum pormenor

Apenas me lembro

De pensar em ti. 

 

Talvez, também, 

Naquele mesmo instante

Tivesses acordado

E destapado o corpo 

De cobertas e lençóis 

Por causa do calor

E... 

Tivesses pensado em mim. 

 

Talvez!

 

 



carlos arinto maremoto às 20:33
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2020
Havia duvidas

Se dúvidas houvesse

O que faria? Nada!

Ficava na dúvida. 

Há dúvidas que não são 

Para serem esclarecidas. 

São dúvidas de circunstãncia, 

Dúvidas de amor, 

Dúvidas que também podem ser

Dividas, ou divididas. 

 

Na dúvida eu escrevo ao banco

E anulo tudo. 

Na dúvida vou à igreja e pergunto

Deus, tu existes?

Na dúvida aguardo os meses da gestação 

E aceito que se não fui eu, 

Alguem foi!

A menos que seja natal e aí pode ter sido

Coisa e tal, embora já tudo tenha sido explicado

Que não foi assim. 

Ainda não havia, algoritmos na época 

E os mágicos não tinham televisão. 

(aliás, eles só aparecem lá para janeiro)

 

Tenho dúvidas que acerte

Tenho dúvidas que aperte

Tenho dúvidas que ganhe

O jogo há-de continuar sempre

Até ao infinito. 

Onde o vencedor persistente

Terá duvidas

E será morto pelos que têm certezas.

 

É uma duvida que eu tenho

Mas, pelo não e pelo sim,

Tenho a certeza de ter duvidas.

 

 

 



carlos arinto maremoto às 14:45
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2020
Terapia de solidão

Preciso desabafar

Fazer confissão. 

Olhar-me no espelho

E dizer que te amo. 

Preciso de me encontrar

Encontrar-te

Procurando-te

Encontrar-me

Buscando-me.

Tudo acontece

No tempo certo

E ao ritmo do ciclo

Que não entendemos, 

De que não somos 

Sobreviventes. 

 

Escrevo

Cristalizando

No mar que pangeia

A minha solidao

O eterno fumo

Do que sou

Ou fui

Na relação invisivel

Que nos une

E nos alimenta.

 

O amor é uma coisa louca

Que não existe

Há semelhança de outras

Coisas loucas

Que não existem

 

Mas que nos fazem... (a nós)... existir.

 

 



carlos arinto maremoto às 08:24
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Domingo, 13 de Dezembro de 2020
Olha aqui! Espreita!

Entardece, entrenece, 

Entre! se faz favor.

Vou ali buscar uma cadeira, 

Fique à vontade... 

Entremezes, fazemos a consoada

A Lisboa, cidade, enamorada

Ou onde os amores se cantam:

Mondego de Inês 

(que frio deveria ser aquele palácio 

O mosteiro, o castelo o choupal) 

Ou as ruas estreitas de mira-gaia

Pois não existe um mira-porto. 

Apenas a Foz onde desagua o douro

O vinho rabelo, 

Figueira, mais abaixo, onde se mira, 

A praia, de toda a beira

Fronteira. 

Se enternece outra ó de mira

Já a sul, e mira anda a norte, adentro

E em encantamento se busca

Mira Douro, que pode ser em qualquer lugar

Xisto, rocha, ilha atlantica

Mira Espanha e mira mouros, miramortos

Em Moçambique. mas... 

Faça favor de dizer, 

Sem adivinhas, ao que vens?

-buscar amor,

- desculpa?! Não entendi! 

São coisas minhas!

- minhas, também!

 

 



carlos arinto maremoto às 17:57
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Sábado, 12 de Dezembro de 2020
Poinsetia

Vermelha. 

Gosto de ti todo o ano

E quando te vestes de natal

Fico deslumbrado

Porque as tuas cores me iluminam

Frágil, carente e elegante

Recebes carícias e beijos 

Quando te sento nos meus joelhos

E peço um desejo.

 

Sim, és uma flor

O meu amor. 

E todo o ano gosto dos tons

Verdes, alaranjados, vermelhos, 

Roxos e amarelados 

Com que decoras a janela

Que trago no peito. 

 

Gosto de ti, por causa, dela!

Da chuva, da luz, da floresta

E a recordação de um sorriso

Um beijo, um toque de nada

Uma pétala que me incendeia

E torna feliz, ao ver teu rosto

Nós revérboros da lua. 

 

O meu amor, 

Nunca morrerá. 

 

 



carlos arinto maremoto às 12:29
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2020
A noite de inverno

O dia tapa-se de negro

E a chuva faz cortina 

Espessa como nevoeiro

Tudo Ocultando. 

Um frio de inverno

Anda à solta de parceria

Com chapéus, luvas, gorros

E outros agasalhos. 

Há humidade nos ossos!

E as luzes tornam-se manchas

E sinais de alerta, vida ou perigo 

Mas ruas molhadas

Em prédios cujas janelas se fecham

E no fugir acelerado dos carros

Dos transportes, barcos e comboios

Em pendulares idas e vindas

Até que todos os passageiros

Se esgotem. 

 

Mas estes, os passageiros, 

Continuam sempre. 

Noite fora, até serem renovados

Com novos utentes

Pessoal das limpezas, 

Novos emergentes que chegam. 

Outros que regressam da folia 

Mas, a noite, a luz, o escuro

A chuva e a humidade e a mesma. 

Não há vento. 

Valha-nos isso! 

Apenas um restolho de claridade

Assoma de um dos lados da cidade

E o negro fica cinza, quase branco, 

Depois torna-se cal e amanhece. 

 



carlos arinto maremoto às 18:33
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