Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2020
Encantado

Encantado

Com as tuas plumas de pintainho

Acabado de nascer, 

Fiz-te um carinho

Era ainda manhã e o escuro desaparecia

Quando abriste os olhos e me sorriste.

Encantado, 

Como ave hipnotizado pelo olhar do gato

Não me mexi, e assim fiquei

A olhar para ti.

 

Depois o dia cresceu

E o nosso amor viveu

Encantado

Como leite derramado em chocolate. 



carlos arinto maremoto às 21:08
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2020
trintanario

 

 

 

Sinto o cheiro das ondas. (sim, cheiram a altas montanhas,

A barcos afundados, a terríveis dores) e solto o berro da gaivota

- Breee!!! Breee!!! Bree!!! Bree!!! Bree!!! Bree!!! Bree!!!

O vento afia as garras na espumas dos novelos de água

As nuvens vêm ver o que é e ficam baloiçando entre uma valsa

(frágil, ligeira, uma quase ampola de fragância e divergência)

E as pedras. São conchas, areias e medo. São aranhas do mar.

 

 

 



carlos arinto maremoto às 21:56
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Resgate

O teu silêncio perturba-me

Entristece-me. Deixa-me morto.

 

E então, esqueço o que sou e sonho pregões antigos 

E outras cautelas para te buscar

 

Nem sempre o amor salva vidas

Mas posso tentar. 



carlos arinto maremoto às 09:46
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2020
Voando numa pernada de mar

De novo por aqui!?

A comer castanhas, rebuçados e vinho rosê, 

Mas, é mesmo você?

Não o esperava tão cedo, ainda agora chovia

Tenho ideia que o vi, no outro dia, 

Mas posso estar enganado, sou civil não soldado

E nesses tempos de arrependimento 

Quero-te toda, não um bocado.

 

Sim, esmoreço aqui.

Ensarilhamos as pernas em cruzeta

De armas aperradas ao peito

Ficamos na maresia, entre algas, sargaços

Caranguejos, amêijoas, canivetes

E eu gosto de te lamber a comer sorvetes.

 

É tudo uma tramóia despida,

Um bikini de sedução

Voaremos juntos, empresta-me as asas

Agarra na minha mão.

 

 



carlos arinto maremoto às 16:52
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2020
Receita semi erótica

Tenhamos em atenção o bolo de chocolate

Ou o de bolacha, 

Ambos calóricos, saborosos, doces... 

Um doce tem de ser doce.

E a musse do dito chocolate?

E a baba de camelo?

Derreto-me antes de engordar,

Lambo - te antes que o doce seque

Cristalize e se torne uma parte de ti.

Também se faz doce de batata doce

De alfarroba ou de pétalas de rosa

Com açúcar, muito açúcar e leite

Mexe-se com a cana do mesmo (açúcar)

E se estiver espesso, como calda de morango

Passe-se um dedo pelo ovo batido

E mergulhe-se na vagina da provação. 

 

Tome-se todo com o devido respeito

Amor e adoração. 



carlos arinto maremoto às 14:37
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2020
Silêncios de vida

Há um silêncio de vida, de arrependimento

Um silêncio de túmulo que uns idiotas rompem 

Colocando motores de carros a trabalhar

Por se julgarem úteis, pavões e negacionistas.

Há um silêncio que nos classifica 

Um bruá inútil que se extingiu

Uma réstea de verdade que como onda

Limpa todo o lixo excruciando o mal. 

 

Homens e mulheres mudos andam em circulos

Viaturas automóveis outra vez em estertor

E manifestações - algures-- de revoltados predadores

Um nojo, senhores, uma leviandade, uma corja. 

Esta seria a hora ideal para disparar e matar. 

 

O silêncio não deixa. 

O silêncio abandonou os homens e as mulheres 

Dentro de si próprios, no bandulho de si mesmos

E estes, rebentaram como bolhas. 

 

Sim, ficou o planeta cheio de merda

Por força da ventoinha que disseminou

A defecação dos civilizados anormais inquietos.

Há merda por todo o lado

Só se lamentam os doidos que se perderam

Os loucos que fugiram, os berros dos que morreram

Com as tripas à mostra.

Porque quebraram o silencio

Não existe absolvição para o entulho

No desmoronar dos altivos

Nem perdão para as bestas que se alevantam contra

 

 

O tempo morrerá, perene. O silêncio fica. 

 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 02:58
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Domingo, 15 de Novembro de 2020
Desvanecimento abrupto

Estranhamente, deixei de ouvir a tua voz. 

Foi de repente, como se a trovoada me tivesse ferido

Os ouvidos, o tato, o olhar e até o cheiro que tinha de ti. 

Deixei de escutar - que não é o mesmo que ouvir -

Deixei de perceber e de gostar

O que me desgosta é a raiva de não te amar

Porque tudo se estilhaçou nas nossas vidas

E agora é impossível.... Impossível... Impossível!

Sermos nós!

Mas, somos assintomáticos e representamos,

Somos mágicos e entre fumarolas, cheiros a enxofre

Nevoeiros e um Imperceptível  som de borbulhar 

Ignoramos que o mundo nos tragou

E que a música continua a tocar, como se tudo houvesse.

Con-ti-nu-ado a parar! 

 

E parou, não parou?

(Sim, é nesta estação que eu desço, obrigado! Continuem a acreditar)

 

 



carlos arinto maremoto às 07:48
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Sábado, 14 de Novembro de 2020
Divergimos

Não sei porque gosto de ti

Em tudo divergimos.

Somos o oposto de nós mesmos

E não temos nada que nos una

À excepção, talvez! Ora, por favor,

Nunca o amor uniu duas pessoas.

São fantasias e recados que transportamos

Colhendo polens para alimentos da colmeia

Que nos dispensa e nos despeja

Logo que amansados os instintos.

São desculpas, justificações e absolvição

Para a nossa inconstãncia, ansiedade e derrota

Sim, não é possivel vencer o elefante da vida 

E mergulhar na versão da fonte que rejuvesnece

Como chegámos a acreditar na adolescência.

Divergimos em tudo

E em tudo nos separamos.

 

Porque continuamos a gostar?

Não faz sentido! A vida não faz sentido.

 

Por isso divergimos e nos amamos.



carlos arinto maremoto às 18:20
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020
O universo somos nós.

Uma libelinha, um louva-a-Deus,

Uma figura fininha transformada (por mimétrica magia)

em camaleão, em águia, em leão...

Com dois paus, uma antena e um corpo de cobra

Que se esgueira por entre as pedras do rio

Assim te vejo. 

Frágil, sempre desperta em vigilância, vivaz

Refletindo as cores que o universo empresta

Para cegar os inimigos

Esgueiras-te por entre os canaviais e escondes-te

Do tumulto que enlouquece os sonhos da vida. 

Assim te encontro. 

Desamparada numa haste de sequeiro que sobrou

Ferida!

 

Todos nós vencemos sozinhos... (os que vencem, 

Muitos são destruídos, esmagados e devolvidos ao chão) 

Há sempre morcegos, corvos, grifos e predadores que espreitam

Monstros que erguem do passado, túmulos violados, 

Quando muito, podemos pensar que não estamos sós. 

Mas, estamos! O universo somos nós! Apenas um!

 

Os alternativos, na demência da reprodução, extinguiram-se.

Nunca mais se ouviu falar de outro assim. 



carlos arinto maremoto às 07:21
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2020
o milagre da fotografia

Gosto mais de ti

Com a pele macia e os lábios quentes

Quando estou contigo

Do que nas fotografias.

Fode-me, amor!

Dizes!

E eu deixo que a vontade seja nossa

E a arte silenciosa do afago

Se transforme em tumulto, em trovão

E as estrelas prateadas do teu cabelo

Cobrem-me com beijos e arrepios

E rodopiamos.

 

Assobio-te um beijo na fotografia 

E tudo desaparece!



carlos arinto maremoto às 14:13
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Chulipa que me suporta

Não tenho culpa

Voo pelas chulipas da vida

Em rasantes planares

Como o sol, gosto de te amar

De-va-gar! 



carlos arinto maremoto às 10:02
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Alice

Eu quero explodir

Quando a tua mão sobe pelas minhas pernas

E me abre as coxas e a vulva em vulcão. 

Eu quero desabar, como barragem em colapso

Eu quero ser o rio que corre

Por todo o leito do teu corpo

Até que o mundo acabe e todas as frutas

Árvores e animais que existem sobre a terra

Deixem de dar semente. 

 

Eu quero ser tua. 



carlos arinto maremoto às 00:56
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2020
Resistir

Os dias são diferentes, mas o mesmo abandono persiste

Estou onde se resiste. 

Apoiado numa bengala, talvez cajado, talvez muleta

Faço do braço esteiro, do corpo tutor e dos dedos fios de teia

Que se alcandoram aos picos do levante. 

 

Enfrento o vento e a tempestade

Finco raízes e estremeço com os gritos dos elementos

Mas resisto. Hão-de se cansar. Tudo isto há-de acabar.

E eu resisto.

 

E nas gavinhas do meu pensamento

Levo-me até ti e me abraço no teu rosto

Que me faz tornado e furacão 

Beijando a tua boca com sabor a morango

E resistindo a esquecer que um dia nos amámos. 

 

Fico! Sozinho resisto. Tudo o que imagino

É ilusão. Nada se repete, enfrentando se resiste. 

 

 



carlos arinto maremoto às 13:29
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2020
Espreguiçar

O sabor macio de te sonhar

A água tépida onde me banho

A acácia que floresce no alto

E os momentos em que te olho

Na planície da minha memória. 

 

Meu enredo. Meu segredo. 



carlos arinto maremoto às 18:21
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2020
Regressar

E sempre bom voltar a um sitio

Mesmo que nesse lugar

Nunca se tenha estado. 

Sim, eu sei, não é bem um regresso, 

É a continuação de algo que não se começou, 

Que não havia sido pensado

Mas que, intimamente, se desejou.

Como um filho! Uma amante! Ou nós próprios

Que tantas vezes nos perdemos. 

 

Regressamos a tudo aquilo em que pensamos

Com a sensação do novo, da descoberta, da aventura... 

Sim, somos sempre crianças a querer

Poder regressar( mesmo que o tempo e o lugar

Sejam diferentes, outros, sem parecença, 

Apenas vagamente similares) 

Com a necessidade de afinidade e de conforto. 

Regressamos sem pensar em partir, mas logo

Desertamos com o longínquo voo dos pássaros migrantes

Procurando o que julgávamos, estar lá,

(se não ali, noutro lugar) mas não existe nem aqui

Nem em todos os lugares onde regressamos, 

Talvez,  porque nunca existiu! 

Foi apenas a nossa cruel imaginação e memória 

Que nos confirma (enganando-nos) que houve,

Que estava lá, que era verdade. 

E regressamos, e regressamos, e regressamos

 

E sentimos que já não somos nós, 

Mas o somatório de todos os regressos!

 



carlos arinto maremoto às 11:20
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2020
muitos

Chove! 

E porque é que não haveria de chover?

Afinal o tempo é a melhor enxertia para os amantes.

 

Que mania, sempre a falar dos amores

Então e o frio que se faz sentir na serra?

E a conta no banco?

E as saudades da familia que já morreu,

Dos amigos que também se foram, 

Da tua boca e dos teus seios,

Das tuas pernas e da tua pele, tudo, todos

Mais eu.

 

Sim, não somos apenas dois, mas muitos.

Muita verdade, emoção, carinho, prazeres, dores

E também o gosto de estarmos juntos.

O mel, o suor, o brilho das estrelas, a espuma do mar

E todas as ondas por onde se faz surf , vela bolinada,

Mergulho, viajens de beleza boreal.

Por vezes naufrágio!

 

Não nos arrependemos! Aprendemos com a chuva

A esperar e a engravidar refrescando todas as sedes

Alimentando todos os vícios. Sim, porque é um vicio

Gostar de ti!

 

Somos muitos, só nós dois. Somos todos! 



carlos arinto maremoto às 10:14
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2020
Amor impossível

Quero falar-te, mas não o faço

Calo-me! 

Quero escrever-te, mas não escrevo.

Quero ver-te, mas não abro os olhos

Nem me aproximo. 

Quero sentir-te, mas arrependo-me

E recuso estar contigo. 

Quero esquecer-te

E não deixo de pensar em ti

Quero amar-te

E tudo me parece impossível 

Até mesmo

Saber quem tu és! 

E porque gosto de ti. 

 

Para nada tenho explicação. 

 

Assim, me disfarço de grifo

E me torno cadáver de mim. 

Sou o fim!

E o amanhã virá buscar-me

Como o ontem me abandonou. 

 

 



carlos arinto maremoto às 12:53
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2020
O tempero do teu rosto

Fazes-me lembrar

O sonho, o desejo, o ontem

O que perdemos, 

Tudo o que ficou e a alegria de todas as chegadas.

O sabor, o olhar, um sorriso, um beijo

As formas que um rosto adquire ao vento

Os lábios que se serram e fecham 

Ao mesmo tempo que se abrem

(como explicar isto?)

Para acentuar a identidade e o esculpir da sombra

Que uns óculos - sempre escuros, necessariamente escuros

- fazem saudade. Mas a tua imagem é eterna!

E eu olho-te, na boca pequena e quero-te

Como sempre te quiz, porque o sempre é liberdade. 



carlos arinto maremoto às 08:35
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2020
O fim

E porque nos perdemos

O tempo não achou maneira

De nos encontrar.

 

Há desafios e aventuras

Que são para sempre. 

 

Há rumos e naufrágios que são acidentes

Encruzilhadas e tumultos a rebentarem-nos a pele

O cérebro, os olhos, a luz. 

 

Há loucuras que me abraçam 

E me sufocam

E não encontro amor para resistir. 

 

Há dias tristes 

Em que não nos encontramos

E desistimos. 

 

Porque já não existimos! 



carlos arinto maremoto às 23:00
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Amar a ausência

Todos os dias

Corro a abrir as janelas da minha vida

No desejo de te encontrar

Mas tu não estás lá!

 

Adormeceste?

Tiveste outras coisas para fazer. 

Esqueceste-te

Não quiseste desejar que eu existisse

Foste apenas embora sem mim.

 

Não te encontrando, deixo a saudade

O vazio e a nostalgia de te recordar

Tomar conta de mim. 

E assim, continuas viva no meu amor.

 

 



carlos arinto maremoto às 06:51
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