Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Domingo, 29 de Março de 2020
Despedida

Não há despedidas

Nem beijos nem abraços. 

Lágrimas e dor

Ficam sem destino 

E apenas os mortos

Sabem que a eles

Eram dirigidas

As palavras que nao

Se disseram, 

Os gestos que ficaram 

Por fazer

O grito que não saiu

Da garganta. 

Não há despedidas

E todos morremos

Um pouco

Em cada noticia

Dos que se vão.

A despedida é a partida

O adeus o gesto

O silêncio do tributo. 

Despedimo-nos

Para ficarmos.

 

E ficamos sem o último gesto

A derradeira homenagem. 

Depois explode o vazio

Quando percebemos que estamos

(Mais) sós! 



carlos arinto maremoto às 22:06
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Aleluia

Hoje acordei inspirado e não ensonado.

Hoje acordei com a lua já deitada

E com a cama amarrada ao pensamento

Puxei a alma para fora e deixei o corpo

mais uns minutos com ela,

A cama, Os lençóis a almofada... 

Arranquei numa euforia, num desatino,

(febre certamente,) 

à procura do tempo que perdi e nunca vou recuperar

Depois acalmei...é melhor ir devagar!

 

A inspiração amainou, acentou, fiquei a pensar que era outro

Regressei ao corpo e levantei-me sem mais questionar.

O sol entrava pelas gelosias gretadas do tempo, 

havia barulhos na praça, umas vozes, uma arruaça.

Que bom que o mundo tenha regressado. Mesmo em pijama

Desci as escadas e fui ter com ele, com o mundo,

Com a vida, com os que festejavam. O dia começava!

 



carlos arinto maremoto às 10:03
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Sábado, 28 de Março de 2020
Os demónios da minha vida

Prevê -se que o demónio continue

Que vá adiante.

O demónio! Que sabemos nós dele? 

Apenas que se chama assim e que é mau

Como todos os demónios, que 

Nos infernizam a vida,

ou não fosse ele, o demónio... 

Demónio do diabo, diabo de demónio ! 

 

Que continue, que cumpra o seu destino

Avante nesse cavalgar, que seja comboio bala

Razia, jacto, avião. Que não lhe falte maldade

Crueldade, disposição, nem tão pouco tesão. 

 

Estou com azia, só de pensar, os demónios,

Os meus e dos outros, quero matar!

 

de demónios estou  farto, por aqui...

(já nem posso ouvir falar deles) 

Sejam eles chineses, quadrados ou de outra nação 

(às pintinhas, como pompons de cortinados) 

Ou demónios domésticos de usar em casa

(como um gato, uma tartaruga, um cão) 

Animais rabudos, rabujentos, demoníacos até

(que rapam, esfarrapam, descozem e estilhaçam) 

E que fazem a nossa desgraça. Por vezes, muitas vezes

Sem graça. Mas com quem temos de ter compreensão.

 

Demónios todos temos, dormimos com eles

São-nos familiares, amigos, companheiros. 

 

Agora demónios, demónios verdadeiros? 

Esses dispenso e nego que os haja, 

Mas por via das dúvidas afugento-os com alho

Sabão, água vinagre e porrada. Muita porrada! 

Sim, precisam de ser maltratados, escorraçados

Pisados, destruídos, empalados, sodomizados, 

Queimados e esquecidos para que o seu nome

Seja, jamais dito. Esquecido. Impronunciado. 

 

Para longe demónios do caralho. 

 

 



carlos arinto maremoto às 21:36
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Fds

Alerta!

Não confundir

Fds com fdp

Amanhã vai desaparecer uma hora 

Das nossas vidas. 

Porque muda? 

Porque me roubam, assim? 

Não me tira o sono quem quer

Viverei até que o corpo me doa

E as pernas e os braços  

Aguentem. 

Viverei sem horas, sem recreio

Sem companhia,

Viverei no segredo e na reclusão 

Que me alimenta e rejuvesnece

Como uma água de batizado. 

Cada Fds é um fdp a menos

Ultrapassado, esquecido, dominado

Morto pela exaustão. 

- vou passear o cão! 

Que saudades de um sol no rosto 

De um vento na cara, 

De uma fonte onde beber agua

Na beira da estrada. 

Que saudades de ser eu 

E ter vinte anos. 

 

Porque o tempo só viaja num sentido

E é na direcção dos ponteiros do relógio 

Quem dá não empresta, por isso não podemos

Devolver. A vida é uma dádiva e passa a correr. 

 



carlos arinto maremoto às 10:14
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Sexta-feira, 27 de Março de 2020
Fim do dia

Cansado por fazer o que quero

Satisfeito por ter conseguido, 

Findo o dia a arrumar gavetas 

A fechar armários a arquivar

Pastas de documentos

E a catalogar fotos antigas. 

Ajeito a almofada e esforco-me

Por não pensar. Quero dormir

Descansar. 

 



carlos arinto maremoto às 23:33
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Intermitências (umas vezes sim, outras não)

Acordo a pensar que é dia, 

Mas ainda não amanheceu

Acordo e ainda é noite, 

Ouço uma voz que me diz

 que o dia faleceu.

Pensava que dormia,

Pensava que acordava

Penso em descansar. 

Deixem-me aqui parado

A pensar que namoro

Que estou nos paraisos

Dos contos de fadas,

dos deuses que prometem 

Das oníricas mil noites exóticas 

De uma qualquer terra distante

Onde tudo é emoção, veludo

Cetim e erotismo. 

Deixem-me sonhar.

É pelo sonho que iremos

Construir O depois. 

 

Levanto-me, vou trabalhar, 

O mundo não se faz a sonhar. 

 

 



carlos arinto maremoto às 12:55
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Sintomatologia

Chegaram os primeiros sintomas

Com o ar fresco da Primavera. 

Ainda não há flores, nem pólens

A esvoaçar,

apenas um ténue sol brilhante

Uma casca de esperança 

A cobrir e agasalhar os troncos

Da árvores 

Que se vão vestindo de verde.

Mas há indícios de nervosismo, 

De impaciência, de irritação.

Calma que a natureza tem o seu tempo

A sua velocidade 

Da gestação ao passamento. 

E nesse espaço de interim

Vai uma curva de mundos e emoções 

preenchida com serenidade. 

Não se apressa a natureza

Sob pena de obtermos falsidade, 

Impostura e inverdade. 

Os primeiros sintomas são graves

Afectam como bisturis o tecido

Do nosso comportamento. 

Depois rectificamos, regularizamos

E damos por adquirido o menos mau. 

E assim nos transformamos, 

Mais do que evolução 

E um processo de transfusão

De transvase. 

 

 

Fica sempre um resíduo de desânimo

Fica sempre uma faca apontada à garganta. 

Fica sempre criado, emergindo do nada, 

um diamante por delapidar.

 

Não, o nosso mundo não vai acabar! 

 

 



carlos arinto maremoto às 12:08
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Quinta-feira, 26 de Março de 2020
Day after

Sabemos que o mundo é feito de vulcões, 

De erupções repentinas, de abalos, desabamentos

De erosão. 

Sabemos que os mares se entornam e enfurecidos

Arrasam e desbastam.

Sabemos que o fogo mata, mas reata a vida. 

 

E nesta sabedoria milenar

Neste percurso entre o tudo

E o nada, o desaparecido

E o criado 

O Homem está para ficar. 

 



carlos arinto maremoto às 12:41
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Esgueiramento

Escapadinha ou escapadela

Fui ali à rua falar com ela

Tudo numa rapidinha. 

(as palavras mudam de sentido

À medida que as usamos e o tempo

As arrefece, depois de quentes

Saírem do forno. 

As palavras são o pão-nosso--de-cada-dia)

Que saudades de um tumulto

De uma algazarra, de um ajuntamento

E também de um peixe assado

De um cabrito estornado.

(saboreado à mesa de um restaurante)

Agora corremos curvados, 

Protegidos pelas trincheiras do acaso

Ziguezagueando para não nos cruzarmos

Com o inimigo. Que perigo!

Regressamos assustados, incrédulos 

Por não termos sido atingidos, 

Tratando as feridas, festejando, 

Enganando o boi que nos aponta os cornos.

Fui veloz, relâmpago, acrobata

Se tudo correr bem, este vírus não me mata. 

 

Escapadinha ou escapadelas

O que interessa é estar com ela.

 

Deixo as palavras irem à frente

Para ver se o inimigo faz lebre delas

Sigo a coberto do pensamento

Pelas sombras da distração

E no repente do momento

Engravido de vida o futuro que nasce

Nesta primavera de contrastes 

Solidão, flores e cores. 

 

 



carlos arinto maremoto às 11:09
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Quarta-feira, 25 de Março de 2020
Tempo de uma espera

Adiar, adiar, 

Procrastinar. 

Deixar correr

Ir? não!

Ficar!

Não fazer, 

Aguardar. 

Adiar, adiar, 

Esperar. 



carlos arinto maremoto às 16:43
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asneirologia

Faz bem zangarmo-nos, 

Dizer uns impropérios

De vez em quando... 

Foi por causa de zangas

Antigas

Que se fez um império.

Se blasfemar é reação

A uma corrente de ar

A uma comichão,

Dizer asneiras

Torna todos as outras

Imprecações

Sentenças e afirmações

Razoáveis, possíveis 

Siciadas, assustadas, 

que o insulto

Tem de ser gritado,

A praga excomungada, 

O judas queimado, 

Confirmando a poesia

Que também pode ser

Negaça (insulto, ameaça)

Atiço para cão

Ou edital a que alguém diga não!

 



carlos arinto maremoto às 15:06
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Assunto inventado

Lavo as mãos.

Como uma tangerina

E fica uma fragãncia no ar

De que gosto.

Vou á janela

E o ar arrefece

à medida que o dia

Desvanece.

Leio um livro

Ouço musica

Passo pelo sono

E estremunhado

Sonho com borboletas

De muitas cores

E o cheiro a pinheiros

A resina

A lavradores

Pescadores, gaivotas

Amoladores,

faz-me pensar que estou

Em outro lado.

Mas, não! estou aqui.

Confinado!

 

Aqui, numa sala fechado

Espero o dia em que seja

Libertado. 

 

Estou cansado

Enjoado

Tomo banho 

Para me entreter

Acaba-se a água

quando estou ensaboado

Já tenho aventura

Para escrever.

(Foi o tubo que se partiu?

O cano que se rompeu?

Ou a companhia que interrompeu

O fornecimento?)

Que batizado de epopeias

Corro para o teclado

Antes que se vá a inspiração

E sem dar por isso

O carteiro - que é sirene

dos bombeiros - diz-me 

Que o tempo das enguias

Acabou.

Gosto! Mas o que é que

Eu tenho a ver com isso?



carlos arinto maremoto às 14:54
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Protecção

O pseudónimo, 

Remeteu para outro pseudónimo, 

Que por sua vez, desaguou

Num terceiro. 

O autor estava protegido. 

 



carlos arinto maremoto às 12:25
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Terça-feira, 24 de Março de 2020
Insónia

Meia noite e eu sem dormir

Fico olhando o teto da minha sala

Esperando noticias que sejam

Conclusão se o doido sou eu

Ou quem anda lá fora, noite serrada, 

A fugir ao medo.

Tenho a luz apagada

Ouço barulhos de intrusão 

Pego na faca e aperto o cabo

-eles que venham!

O corpo retesado, pronto a saltar

Coração aos saltos

Meço a temperatura, o pulsar

E num golpe apanho o invasor

Pelas costas, à traição.

Bebo um copo de água 

Para me acalmar. 

 

Estamos no intervalo

 

Toda a casa estremece

É anunciada a continuação,

Que excelente série para ver

Na televisão!

 

Já passa da meia-noite

E nem sinais do fantasma

Agora vou dormir 

Que amanhã a vida muda

De sentido, de semelhanca

E o pesadelo será apenas

Lembrança! 



carlos arinto maremoto às 23:54
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tsunami

Não se foge de um maremoto

Mas podemos sobreviver á sua devastação

Se o evitarmos com antecedência

Logo que o alerta surge

Abrigando-nos das suas consequências.

 

Não se foge do destino

Como não se foge da vida

Como nada é o que parece

Até que seja o que é.

 

Perigos existem, desde que se nasce

Armadilhas, emboscadas, uma bala perdida

A fome, a peste, a doença, acidentes

Mas, navegamos a vida de onda em onda

Pelas esquinas da morte, pelas avenidas 

Do amor, dos amigos e da natureza.

 

Somos criados e criadores.

Nunca vencidos!

 



carlos arinto maremoto às 10:10
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O mistério do sagrado

Onde paira o sagrado?

De todos os lados me chega o profano

Procuro as bençãos que não encontro

A consagração que falta

A ajuda que seria preciosa

A colaboração que se ausentou.

Depois, quando o milagre estiver executado

Não me venham pedir meças

Não me exijam agradecimentos

Nem urdam louvores a silêncios

A desconhecidos, a inertes nomes ignotos

Para que não seja profanado o sagrado

Nem violado o direito á santidade

Dos que lutam, dos que resistem, 

Dos que persistem e se manifestam.

 

Que a vida seja revertida

Que tudo seja regenerado

E o nossa vida em glória

Terminada, quando tiver que ser

Quando for tempo de eclipse 

E de encontro com o divino.

 

O divino somos nós!

 

 



carlos arinto maremoto às 08:42
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Segunda-feira, 23 de Março de 2020
O amigo

Tenho um amigo

Algures, 

Lá onde os amigos vivem, 

Que me escreve

Para me entreter. 

Tenho um amigo

Que me telefona 

Para desabafar

Contando histórias magnificas

De coisas surreais

Mas de si, não fala, nunca mais. 

É um amigo sigiloso

Que não vejo há muito tempo

Um amigo que persiste

Na memória de um passado

Um amigo que fica

Como devem ficar os amigos, 

A fazerem parte de nós. 

 

Adeus, amigo. 

Gostei de te ver! 

Aparece sempre

Para conversar. 

 

Dedicado ao Afonso Aguiar Perdigão 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 15:02
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Nunca parar

Quando já não houver mais nada para fazer. 

Quando já não houver outra coisa que fazer

Quando já não houver que inventar

Não te ponhas a descansar. 

 

Há que continuar. Continuar,

continuar Sempre,

sempre a continuar.

Mesmo depois de tudo. 



carlos arinto maremoto às 11:19
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Ninguém está à janela

Limpo, asseado, desinfetado. 

Próprio para consumo

A camisa nova engomada

Penteado, escovado, 

E de mochila às costas, 

Fico em casa.

 

Casa sem janelas,

Que antigamente eram abertas

Como guilhotinas

Depois fechadas como cortinas

Que se arreda na horizontal

E agora são frestas dobradas

Em poucos graus inclinadas, 

Pequenas clarabóias onde mal

Entra o ar e a luz,

sujas com o tempo de

Limpeza esquecida de outras eras. 

Algumas com grades a serrar o olhar. 

Fatiando o sol, a lua e a distância. 

 

Ninguém vai à janela ver quem passa

Porque não passa ninguém. 

Não há nada para ver, para espreitar. 

A janela passou a ser um buraco negro

Um taipal feito de persianas

Um limite da nossa universalidade

A janela tornou-se espelho, 

Só se olha para dentro. 

 

Um vidro escuro, estilhaça 

Foi a janela que colapsou

Ou alguém que se atirou? 

 

Que desgraça! 

 



carlos arinto maremoto às 10:38
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Domingo, 22 de Março de 2020
Domingo

Domingo, porque o calendário assim o diz. 

Nada o distingue dos outros dias, 

Mas eu quero particularizá-lo, chamando-lhe

Domingo!

E ele aproxima-se de mim, sorrateiramente,

Depois de me olhar como um felino, 

E sorri. 

Passeamos os dois pelas horas que o fazem

Almoçamos devagar como dois namorados, 

Conversamos e trocamos opiniões 

Onde nem sempre estamos de acordo. 

-devia estar mais calor, para quê a chuva?

Onde já se viu as horas correram tanto

Que ainda agora era manhã e já não é 

Sem eu ter dado por isso....

O domingo também discorda de mim:

- podias te vestir melhor, afinal é domingo,

Não prestas-te atenção às árvores ontem

(que já estão na primavera)

E hoje se te pedir um desenho não o sabes fazer. 

Saboreia a chuva que é água e bênção 

Aprende a apreciar, a gostar a agradecer. 

E neste diálogo, nesta esgrima de entendimentos

O domingo esgota-se e adormeço feliz.

 

Todos os domingos se enroscam em mim

Na labareda de um aconchego. Passeio, brinco 

Salpico de afetos o dia que alguns dizem ser santo. 

Eu também sou. Rodrigo Santos. 

Um vosso criado, como antigamente se dizia. 

E o domingo, que não usa trela, a minha reflexão

Que - pendurada ao peito - é esmeralda, culto, 

Devoção pela paz que lânguida se esperguiça. 

Domingo nu, como mulher,flauta, harpa, tambor

Na sinfonia do tempo que passa e nos encanta. 

 

 



carlos arinto maremoto às 10:12
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