Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018
O guarda que chuva

Chove.

Um diluvio de frio, vento e neve

Faz o inverno ser verdadeiro

Aqui, no meu país, em Janeiro

                                 em Fevereiro.

A chuva diz-nos que a vida 

É preocupação de infiltração

(Nas cidades.)

Benção, carinho, tesouro

Nos rurais montes, nos campos

Onde ninguém se queixa

Quando chove.

 

Chove.

Porque se não houver água

Tudo morre

E a água não se fabrica.

Veja-se a imbecilidade

De querer viver sem água

Sem torneiras

Com um chapéu que guarda

O que ninguém aprisiona.

 

Sigo á procura de nevoeiros

De chãos, de verdes, de bichos

Poças, charcos, fontes,

Ribeiras, rios e depois os mares

 

E bebo a chuva de que sou feito.

 

 

 



carlos arinto maremoto às 18:09
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
O teto da cidade

Todos os dia, àquela hora,

O céu ficava escuro

E a réstea que sobrava no firmamento

Poderia ser já um despontar mágico

Para alguém nas antipodas.

 

Tudo arrefece. É das ciencias da natureza,

E as cidades iluminam-se

Na nocturna claridade florescente

Do dia que nunca morre e da luz que renasce

Em engenhos, de saberes experimentados

Por gerações de vidas incandescentes

 

O céu ganha riscos, névoas e cumus

Mas passados momentos tudo é breu

Já não distingo o que está para lá

Do boqueirão humido e fechado do tecto.

 

Todos os dias, aquela hora

Na mesma época do ano

O céu ficava escuro

Porque escura é a sua natureza

 

- Não tenhas medo do escuro, do negro e do preto

Olha o comboio, o carro electrico, o senhor distraido

Que regressa a casa, aquela mulher, além, que fuma

(todos os fumos são aqui consentidos) 

- Não tenhas medo do negro, do preto e do escuro

 

O céu é parte de nós!

 

Repara como diferentes partes do céu

Nos descansam, nos extasiam, nos guardam.

Do céu vem a trovoada e a calma madrugada.

Fechado o ciclo da vida universal, regressamos

Ao leitoso e inseguro poalho da manhã

Nos telhados e nas chaminés das casas

Onde aprendemos - civilizadamente - a viver.



carlos arinto maremoto às 10:19
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
Aspersão

Hoje, tudo é fumo e virtual.

Não há convites por debaixo da porta

Nem na caixa do correio

Ninguém me chama á janela.

O que se podia saborear,

Mexer, provar, consolar,

Acabou!

Tudo é sonho, essência e nada.

Embora insistamos em pensar

Que existe algures

O sempre, o ontem e o antigo

E tudo pode ser invocado.

O mundo tornou-se etéreo

Numa efusão de enganos. 

O que me resta além das memórias

Do pensamento e das recordações?

O presente é paisagem, montanhas,

Rios, pedras com musgo, pássaros

E nesta ilusão de que estamos vivos

Nos dissolvemos em nevoeiros

E em insanidades sem direção.

Todos os livros são turismo

Todo o turista é um curioso de nadas

E nessa pressa, nesse frenesim,

Restam silêncios e fragâncias

Que só os velhos sentem e saboreiam.

Afinal as religiões tinham razão.

O céu (e o condomínio onde Deus reside)

São virtuais. Tudo se faz e desfaz

No cair da chuva,

                         no beiral de uma nuvem.

 

Eu sou, o perpétuo movimento. 

(e disso me orgulho)

 



carlos arinto maremoto às 10:06
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018
ouriços na ericeira

carlos arinto.12.JPG

Bom dia. Fevereiro. 



carlos arinto maremoto às 19:16
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MAREMOTO
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