Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Segunda-feira, 30 de Abril de 2018
Não se compara

Comparo a minha vida

A todas as vidas

E em todas encontro

Comparações qure são vidas

Iguais, diferentes

Unicas!

 

A minha vida não tem

Comparação

As outras vidas

Também não!

 

Por isso faço da vida

O que ela quiser ser

E onde a possa viver

 

Morrer! Morrer!

Mas primeiro,

Amar!



carlos arinto maremoto às 08:54
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
bizarro

Sendo já tempo de primavera

O frio persiste em manter-se  como um luar

Que depois da noite acabar, não interrompe

A sua permanência no nosso corpo.

 

Acordo bizarro, arrependido, com vontade

De ser outro.

Levanto-me com a surpresa do conhecido

E a angustia do que sou.

 

Recordo pessoas antigas, sempre outras

Algumas que nem conheço

Procuro desistir, adiar, deixar tudo para

Mais tarde.

 

Esqueço que continuo cá e me desgosto

Luto brevemente contra a saudade, o medo

A ausência, a solidão e o objectivo próximo

De não ter nada para fazer. 

 

Olho ao redor - agora há um pouco de luz -

E encontro-me aqui.

Tudo me parece mentira. Acredito que sonhei

Deixo-me iludir.

 

Sou eu, outra vez!



carlos arinto maremoto às 08:31
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2018
fantasia arte-brava

 

Viajo pelas avenidas

                                     do pensamento

Em cidades,  vilas e aldeias

Em todos os cruzamentos.

                                    Em estradas

Em encontros, em amores

Em todos os momentos, (furia e ódio)

Repousos, (desilusão, esperança)

Vicios e vontades.

               numa esplanada 

Onde se ouvem golfinhos

              E onde cabe a saudade,

O ontem e a verdade.

(ficamos à conversa)

 

Quero mistérios e imaginar

Que serei lume, água fresca,

Sal, coirato e luz perpétua

No simples facto de estar 

              Já não aqui, mas além

Onde me vens buscar.

 

Liberto em azul o amanhã

 

 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 09:47
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
O livro do tempo

Tropeço, esfolando uma canela,

(ando em calções, sei que pareço

Um espalhafato) Tropeço em livros

Espalhados pelos tetos do mundo

Quando deviam estar guardados

Dentro de muitos leitores.

 

Que culpa tenho eu?

Foi sorte não ter partido a cabeça

Ando sempre de pernas para o ar.

 

São livros antigos, estragados pela chuva

Roídos pelos vermes que não sabendo ler

Se perfumam com eles, devorando-os.

 

Por feliz acaso, não caio e não morro

Asfixiado pelos cereais que estão no celeiro,

Que o que alimenta, também mata.

Soterrado num monte de livros que desabam.

 

Feliz acaso - digo a sorrir - sabendo que o mal

Não é coisa contagiosa para quem ama o sol

A poesia e o momento em cada língua que faz

De todas as linguagens a vida e o alimento.

 

Há livros nativos, antigos. Outros novos a chegar

Livros que ainda não foram inventados, escritos

Lidos, decorados. Livros brancos e azuis com

Todos os pensamentos e aqueles que se hão-de

Ajuntar.

 

O importante é que existam livros

E que possamos neles navegar ou voar.

 

(Com a perna a sangrar, fecho os olhos

E num mergulho regresso á infância e ao tempo

Em que tudo era novo e colorido.

Ser feliz é ter memórias para contar!)

 



carlos arinto maremoto às 09:44
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Domingo, 22 de Abril de 2018
reunião do condominio

Faltam sempre alguns

Que não puderam vir

Ou porque se atrasaram

E por compromissos

Mais urgentes e graves

Faltaram!

Ou...porque sei lá...

Não leram a convocatória.

Faltam sempre alguns

E ficamos á espera

Que todos assinem a acta

Dizendo que concordam

Que discordam

Que estão solidários

Demissionários

E até conformados.

Alguns calados, sem opinião

Só consta do quorum

Os que cá estão.

Faltam sempre alguns

Para os anos fazerem sentido

Para se ter que fazer obras

Reparações, isolamentos

Transplantes.

Um reboco cirurgico

Um andaime para a locomoção.

Há sempre alguém que não vem

Que "já nos deixou"

Que nunca voltará

E que se recorda numa pausa

De uma assinatura

Coisa tão legitima

Como outra coisa qualquer.

 

Também há novos a chegar!

 

 

 



carlos arinto maremoto às 21:02
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018
bom dia

espreitar.jpg

 Bom dia.

O tempo está perfeito

Gosto de espreitar

Ver sem ser visto

Ficar aqui a esperar

Como um Deus

Sem ter nada para

Fazer ou dizer

Apenas espreitar

Bom dia.

 



carlos arinto maremoto às 19:58
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Sábado, 14 de Abril de 2018
alentejo

Percorro campos de um verde absoluto.

Avisto outros: amarelos, roxos, vermelhos

Casas caiadas e brancos infinitos.

Entre o sol e as nuvens o restolhar

De pássaros alvoraçados (talvez

Incomodados) com a minha presença.

Cegonhas, Grous, pombos, bandos de

gaivotas (que o alentejo também é mar)

e águias, corujas, andorinhas

Em volteios ao redor da luz

Semeando nos céus gafittis, ninhos,

Àrvores, chaminés e vinhas...

Somos todos vizinhos.

 

Percorro os rostos, as mãos e os olhos

De quem trabalha, de quem trabalhou

E as histórias de vidas encontradas

Em portadas, em corrimão de pedras

A separar aloendros, em janelas e

Assentos de umbreiras em descanso

Em casas baixas de telhados vivos

vermelhos, encarnados fulgurantes

Como papoilas, colza ou cheiros

Onde tudo existe em cores que mudam

E onde me sinto verdadeiro.

 

Estou no alentejo!

 

 

 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 09:43
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2018
A paixão segundo o autor

Existem paixões tão absolutas

Como o desejo em manter uma horta

Dentro dos limites de uma cidade.

 

São paixões que os ancestrais deixaram

Num cromossoma enterrado em mim.

 

A fadiga não me cansa. Beijos e terra

Chuva e luar são flores para amar.

 

Existem paixões que me encantam

Que não sabendo dançar - danço!

Que não sabendo cantar - canto!

Que não sabendo rezar - rezo!

 

Sou cristalino na alegria serena

Do peregrino em transumancia.

 

Sou o pássaro, a razão, a lágrima

O suspiro e o vento que transporto

Em faúlha, porque nada é inteiro.

 

E na emoção do momento me dissipo

Em mil pedaços, levando para o sol

(na paixão dos dias felizes)

O etéreo, o sonho e os teus abraços.



carlos arinto maremoto às 20:12
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Terça-feira, 10 de Abril de 2018
alterações climaticas

Uns dias chove

Outros não!

 

Uns dias tenho frio

E tenho medo de adoecer

Mas logo o sol vem

Dizer ao meu corpo

Que está tudo bem.

 

Uns dias de calor

De repente granizo

Transpiro, falta o ar

Tenho medo de acordar

 

Quero morrer

Antes de me erguer

Mas tenho de ir

Trabalhar.



carlos arinto maremoto às 19:42
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Sábado, 7 de Abril de 2018
biografia

A minha biografia

Não acrescenta nada ao rumo

Do universo. Este, corre indiferente

A tudo o que sou, ignorando-me.

A minha biografia

São apenas palavras que escrevo

E possam sobreviver sem mim

Em ventos e fragmentos,

Nas areias do tempo

E na lembrança de alguns.

A minha biografia

Será o que disserem de mim.



carlos arinto maremoto às 09:35
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2018
saudade

O dia foi de saudade

Encontrei amor, 

No fio de uma conversa

Num acaso.

Encontrei ternuras

E ilusões

Desgostos, loucuras

Encontrei

Perdendo-me

Aqui regresso

Buscando-me.

 

 

Tenho muito para contar

Mas calo-me.

Navego na saudade

Que é só minha.

 



carlos arinto maremoto às 16:13
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Domingo, 1 de Abril de 2018
domingo

Celebremos o dia.

Nada de euforia, apenas um olhar.

Celebremos o dia

Como o são todos os dias.

Uma vontade, um respirar.

 

O dia é uma preguiça

Um rochedo

Que temos de escalar

O dia tem sentido

Se o pudermos amar.

 

Celebremos a diferença

E a ilusão de plantar

Um arbusto, uma arvore

No jardim dos pensamentos

No oceano calmo dos

Momentos

 

Sejamos iguais,

Diferentes

Ou os mesmos

Na parecença

Dos dias.

 

Celebremos sem indiferença.

 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 10:52
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