Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2018
a aventura da serpente

Nessa luz mais recente

Os pássaros voam

E na noite se orientam até á chegada.

 

O caminho

Cheio de cicatrizes e raizes infinitas

São cartografias que não sei ler

E neles, apenas, me estatelo, 

Deixando-me, suavemente, escorregar.

 

Debico, que a fome é muita,

O que o restolhar oferece

Paramos na beira da estrada

E o céu tem cores que nunca vi.

 

Chego, onde me acoito,

Que chegar nunca é parar

Somente pausa para descansar.

 

As planuras, os rios, as serras

Flores e verduras

Pequenas aldeias

Cidades e cidades

 

O pensamento tudo alcança,

Que do corpo não precisa

Mas, Onde fica a ilusão 

De que se vive, de que se abraça

De que se morre por uma paixão?

 

Ou um pouco de nada

Onde se fica?

 

 



carlos arinto maremoto às 09:32
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018
Grândola

Enquanto vão derrubando muros

Em casas antigas

Colocando novas palmeiras

Em substituição de outras que morreram

Tapando os jardins

Para lhes mexer na terra

( visto do alto)

Anda tudo num reboliço

 

Enquanto isso,

Os prados estão secos e as ervas

Descoloridas pelo sol impiedoso

Rasgam-se em saudades.

 

Onde anda o tempo

E os torrões de ferteis dunas

Que as minhas mãos construiram

Com amor e chuva

Com estrume de rebanhos

Com a ajuda do teu olhar?

 

Onde anda o que passou?

 

Corre-se agora a tras de uma incerteza

De uma fonte de água escondida

De uma cinzenta madrugada.

 

Como tenho saudades

De uma cinzenta madrugada

Que tudo prometia ameaçando nada

E depois rebentava em calor, em braseiro

Em febre alta e em tempestade.

 

Como tenho saudades

Da porta emperrada, que não abre.

Da janela caduca com portadas

Do vento que me vinha abraçar

Como tenho saudades

De uma picada de abelha

De um tropeçar nas pedras 

Que o mato esconde

Dos mosquitos carrascos

Que sangram meus braços

De uma noite

(em que os extraterrestes eram para

vir comigo ter...mas faltaram)

Cheia de luar.

 

Sinto a falta!

 

E assim fico, sem nada.

 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 08:49
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018
No começo do mundo

Acredito que o mundo possa começar todos os dias

De novo. De manhã. Ou talvez um pouco mais tarde

Quando lhe apetece, quando quer, quando é possivel

Começa quando começa, porque quando damos por ele

Já lá vai a correr, volteando como uma criança, fugindo

Olhando para tràs, sorrindo e galhofando de contente 

 

E nós - que por cá andamos à procura dele - vamos tentar

Dar-lhe a nossa mão, estender-lhe o nosso braço, cuidar

Que cuidamos dele, mas ele voa e não se deixa apanhar

 

Acredito que o mundo possa começar todos os dias

Eu fui descobrindo, descobrindo, descobrindo

E o mundo apareceu numa trégua que se fez labareda

E assim viveu. O mundo nunca envelhece, é mundo

Dizem que enquanto viver...é meu!



carlos arinto maremoto às 08:53
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2018
Lisboa perdeu a inocência

Lisboa tem cintura fina

É menina deitada 

Uma luz que se levanta

Uma água que levita

Ainda a manhã perguiça

Um jardim que se rega.

 

Os carros correm para a cidade

Onde os turistas bebem

Cafés, torradas e bolos. 

Que tolos!

 

Lisboa volta a ser do viajante

Que alfacinhas não há.

Bares, discotecas e lojas

Restaurantes, monumentos

Toda a quinquilharia pobre

Do turismo e do desperdicio

De uma cidade saqueada

Pelos invadores convidados

É Lisboa que se refastela

Numa loucura de amantes.

 

Tudo se paga.

Lisboa não se dá.

Vende o chão, a alma,

O passado.

 

Não haverá raiva

Que sempre dure

Nem amor 

Que não se acabe.

 

 Lisboa ficará.

 

 



carlos arinto maremoto às 18:59
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
Mundo

O mundo é o que existe á volta

E eu? onde estou?

Todas as perguntas podem ter resposta

Mas eu não sei quem sou!



carlos arinto maremoto às 18:53
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
valquirias

O galope era imenso

O barulho um ribombar

De onde vinha tanto medo?

 

Fujo acossado

Escondo a cara

Esbracejo assustado

Quero morrer

 

Uma luz esfarela o ruido

Mil estrelas

Pulverizam o céu

 

O meu medo

Transforma-se em nuvem.

 

Na troada

Que desaparece

Fica o silêncio

E o lugar

 

O chão de um mar

O espelho 

Da água

O navegar.

 

Sinto

Que não existo

Sou apenas

espaço

 

Apenas luar!



carlos arinto maremoto às 17:18
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Domingo, 19 de Agosto de 2018
incêndio

Ando por serras e arvoredos queimados

Onde casas mortas são cemitérios na paisagem.

Gente que tudo perdeu: ovelhas, cabras, hortas...

E onde rebentos de fetos e eucaliptos 

Verdejam entre paus ardidos e pedras soltas.

 

As fluviais vão remendando as águas

As festas de verão entulhem as praças,

Os cafés, as Igrejas e os sitios benignos

Que os diabos não têm sitio, aqui.

 

(a romaria é uma tradição)

 

Há casamentos. Divórcios. Largadas de touros

Há praias e mar e areias, farturas e filhós

Canções brejeiras, amores e bebedeiras.

 

A vida nasce num braseiro de faúlhas

O vento dá-lhe e revira as voltas

Aos velhos resta a quietude

E quem os vir - assim - quietos

não sabe que o inferno e a dor são solidão

Que não acaba,

Onde tudo começa e morre, aqui.

 

(Lá na emigração, onde nada acontece

Apenas o dinheiro entontece)



carlos arinto maremoto às 17:13
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