Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Terça-feira, 31 de Dezembro de 2019
Fim de ano

Chamam os passageiros

Uma voz, num altifalante,

Uma mensagem no electrónico

Estão-nos a chamar:

Entramos no barco, estamos no veleiro, 

No vapor, no cruzeiro, 

Na amurada, na plataforma, 

No cais, na pista de embarque. 

No avião. 

À porta do automovel

Que nos há-de levar para longe.

Sem remédio, com destino

Com pulso firme, 

Simplesmente

Caminhando num rumo que acreditamos 

Ter trançado, ser o nosso.

Estamos prestes a sair, a ir

A voar. 

Uma e outra vez

(porque voamos, desde que aprendemos

A voar)

Navegamos pairando acima de tudo

Resolvidos a não ficar. 

(que outra opção temos?)

O ano está a acabar.

 

Chegaremos ao destino?

(que destino espera por nós?)

Não me perguntem do que não sei

Sei que irei

E farei do amanhã nova esperanca

Lembrando-me do hoje que ficou

Na poalha luminosa de um dia

Que acaba sem terminar

*areia fina, cristal e diamante*

Porque nada acaba

Antes está tudo - de novo-

A começar. 



carlos arinto maremoto às 16:39
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Domingo, 22 de Dezembro de 2019
Concerto para uma espera

Não espero por ninguém.

Sigo em frente, como a água,

Por aqui, por ali, por onde der

Ribeira abaixo, por todas as fendas da vida

Onde quer que possa seguir, em correria,

Em pingo, em estagnação,

Procurando oportunidade

Para voltar a seguir em enxurrada.

Não espero por ninguém

E ninguém espera por mim.

Nesta desenfreada loucura,

Nunca nos encontramos

Nunca temos tempo para amar e refletir

Nunca nos encontramos

Nós, tu, eu e eu comigo

 

Mas,

Por vezes, (às vezes)

Vale a pena esperar!

 

(Natal de 2019)*

Nota explicativa: Não que alguém ou alguma coisa esteja para chegar, mas porque o caminho faz a espera e todos os dias são dias de nos encontrarmos. (nós e os outros, os outros e nós, pois nunca estamos sozinhos, estamos sempre acompanhados connosco)



carlos arinto maremoto às 10:36
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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Vida nova

Tudo de novo. 

Outra vez!

Outra vez!

Tudo de novo

O velho

O antigo

O presente

Outra vez! 

Outra vez! 

Tudo de novo

Porque é novo

Como nova é a vida

Que se torna nova

Cada dia, cada segundo

Cada momento

Outra vez!

Uma e

Outra vez!

Sempre. 

Até que não exista mais

E depois

Tudo de novo. 

De novo,

De novo.

Uma última vez! 

 

 



carlos arinto maremoto às 11:48
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Agasalho de inverno

E então, porque estava frio,

Coloquei as mãos nos bolsos e pensei

Que bom ter bolsos para colocar as mãos!

Era, realmente, quase uma dádiva divina.

Obrigado mãe, pelo casaco, a camisola, 

Os bolsos e tudo o mais. 

Obrigado por tudo pois tudo te devo

E neste  dia que está frio

Agasalho-me melhor

Sentindo-te junto a mim.

 

Obrigado mãe! 



carlos arinto maremoto às 07:53
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Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
Chuva

Chove.

E porque é que não havia de chover?

A chuva tem sentires

Que ninguém conhece

E mata o meu desgosto 

Por não te sentir

Junto a mim. 

 

No perfume dos dias

No lume da noite

No arrefecer do mar. 

 

Também os meus olhos chovem

No desejo de te encontrar. 



carlos arinto maremoto às 21:37
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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
às voltas com o oito

Se eu quisesse

escrever um livro

Com todos os meus dias

Com todas as ocorrências

Com todas as incertezas

Loucuras, desejos, aventuras, 

Sonhos, tristezas, 

Seriam muitas páginas

Um grande fardo

para qualquer leitor

Uma enciclopédia de nadas.

Se eu quisesse

testemunhar todos os dias

A verdade, a impossibilidade

O sonho, a zaragata,

A desilusão e a realidade

Seria livro para nunca mais

E um livro não é assim.

Um livro 

É apenas literatura

Apontamento,

Saudade, memória

Delirio.

Refrescamento!

 

Se eu quisesse escrever

Teria primeiro que saber

Desenhar, pintar, moldar barro,

esculpir, perceber a natureza

E só depois me preocupar 

Com a humanidade.

 

Daqui não resultaria nada

Mas, também não viria

Nenhum mal ao mundo



carlos arinto maremoto às 08:31
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Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2019
A espera e o caminho

Sento-me 

E fico à espera.

 

Espero por ti.

E por todos os que

Hão-de chegar.

Espero que aconteça

Espero que venhas

Conforme 

A promessa

E o sonho antigo.

Espero que seja  

presente, caricia, 

mantra de embalar

Fio de azeite,

Beijo

Explosão nuclear.

 

 

Olho o céu

As nuvens

Sinto o vento

Agarro num punhado de estrelas

E espalho-as no firmamento.

 

Os olhos 

Procuram outro olhar

Um sinal

Raio ou trovoada

Saber onde estás

Meu amor, minha esperança

Minha amada!

 

A espera é já caminho

Labareda fresca

Como nenhuma outra

Labareda inventada.

Celebro a espera

E a afirmação

Da aurora, do nascente

Da luz que me pega na mão

E guia pelo luar da vida.

No tempo mágico

Do caminho

Toda a inocência é consoada

Vem ouvir, amor,

Escuta, presta atenção!

São crianças a rir na madrugada.



carlos arinto maremoto às 18:52
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magalhães

ó homem de Deus

Tira esse cu do sofá.

Levanta-te

Vai dar uma volta ao mundo

Quando regressares

Eu ainda cá estou.

 

 

Foi então que um ofi

Desconfiado

Arrebitou as orelhas

Defendeu-se

Como pode e sabia

Emitindo roncos

Imprecações

Vitupérios

E os predadores

Afastaram-se.

 

O sol era magnanimo

A água fresca

o colmo e a sombra repousantes

A terra tinha paraisos

E havia muitas cobras por ali.

 

Em cada pedra um amigo

Em cada mulher uma saudade

Em cada casa um abrigo

Em cada tempo uma verdade!



carlos arinto maremoto às 16:17
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Domingo, 8 de Dezembro de 2019
A exposição

Exponho-me

Não me exponho.

Escondo-me.

Mostro-me?

Fico ou não chego

A estar.

Quem me olha,

O que pensa?

Em que pensa

Como me vê? 

Sou apenas uma tela

Em exposição. 

Sou 

O que  me quiserem

Chamar! 

 

Alguns

Sorriem

Outros choram

Poucos

Ficam indiferentes. 

Uma tela 

É um espelho

Do que nela se escreveu

Um reflexo

Do que nela se quer ver

Uma lágrima da alma

(seja isso o que for) 

Uma chama, uma cor

Uma porta. 

 

Visitei

A exposição 

E não gostei. 

Não me vi

Não me encontrei.

Expus-me

Morri

Nesse esgar fiquei.

 

E ficando

Fiquei. 

 

 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 21:32
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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019
love is all you need

"Ame-me, ame-me

Por tudo aquilo que eu não lhe darei"

António de Oliveira Salazar para Christine Garnier

 

Ninguém dá nada a ninguém

Por isso amem-me sem pedir algo em troca.

Quando estiverem fartos, desapareçam.

Cá ficarei, para contar a história.

O amor tem os dias contados 

E eu conto os dias em que sou amado

Cada dia, amor, apaixonado!

 



carlos arinto maremoto às 16:21
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Domingo, 1 de Dezembro de 2019
pisca-pisca

Vinha-se acender comigo

E ia-se apagar com ela

(Frei António das Chagas -1631-1682)

 

 

Cito este acontecimento

Só por citar.

Não tenho nada a comentar



carlos arinto maremoto às 10:02
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