Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020
O amor e as formigas

 

 

Dizem que são a mesma coisa.

 

 

 



carlos arinto maremoto às 12:16
link do post | comentar | favorito

Sem-retorno

Isso de achar que tudo é reciclável 

E que torna a nascer

E que o imutável tem muitas caras

Etecetera e tal... 

É pura fantasia. 

A amizade é uma relação sem retorno. 

Quando termina.... Acaba! 

Já o amor... Tem dias! 

 



carlos arinto maremoto às 09:24
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020
O fim

Acordo a sentir-me mal.

Sinto ondas no peito

Borbulhas no nariz e não respiro

Com a garganta cavernosa

Tenho ganas e ânsias 

Estou para morrer, eu sei.

Mas agora não me apetece!

Vou adiar, fica para logo. 

Mais logo

Quando a lua me bater no rosto

E pensar que morri

Da febre, da sutura, 

da turbulência do delirio, 

E do fundo (com areias que

Me puxam movendo-se,

Para baixo, sempre para o fundo) 

Sofucado, assustado, 

Deitado. 

Morri! Já não há nada a fazer. 

Adeus para sempre! 

Amanhã cá nos encontramos

No mesmo sitio

À mesma hora. 

Talvez possamos festejar. 

E foi assim. 

 

 



carlos arinto maremoto às 08:13
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020
A publicidade

Tanta publicidade, para isto! Para tudo e para nada, 

Para o dia que vem, para o dia que talvez tenha sido

Que há-de chegar ou ser apenas ilusão que possa acontecer. 

Para o consumidor que há-de ser - um dia - quando puder

Depois de ter vencido. 

(coro grego a gritar, oh! My God!)

Tanta publicidade para coisa nenhuma. 

A morte chega devagar à procura de quem não comprou

E fatal, é o destino. 

Certeiros sorteios são estilhaços de paraísos 

Vestidos de promessas e de faustosas orgias

De abundância e de garantia de mais e melhores

Volúpias. Mais e melhores dias. 

(coro americano e festivaleiro: oh! My God!)

Os refugiados estão aqui. 

O mundo implodiu e ninguém notou

Se a publicidade diz que não, é porque é verdade

Aqui só existe o belo, o bom, o bonito e o barato. 

A publicidade só tem um rosto

Por baixo das escamas está um peixe.

 

 



carlos arinto maremoto às 07:53
link do post | comentar | favorito

Domingo, 9 de Fevereiro de 2020
Concurso para poesias inéditas

Um concurso é um concurso

Até eu sei. 

Alguém é distinguido, 

Outros preteridos, 

Todos qualificados,

Excluídos os que se ausentaram, 

Eleito o melhor

Vai o carteiro dar a noticia

Que hoje é só carregar num botão. 

Ganhou! Ganhou! 

Que emoção! 

 

E assim a poesia 

Deixou de ser inédita 

E passou a andar

De mão em mão. 

 

Era bom que assim fosse, não era?

Pois sim, pois não! 



carlos arinto maremoto às 20:48
link do post | comentar | favorito

Sábado, 8 de Fevereiro de 2020
Preguiça

É tarde. É sempre tarde para fazer o que não queremos.

E eu quero fazer, nada!

Esta tarde vou esperar que a tarde morra, para morrer com ela

Sem fazer nada!

Ficando, apenas, espreguiçando-me como gato à janela. 



carlos arinto maremoto às 19:14
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2020
A mulher de plástico

A mulher de plástico

Veste-se bem

Tem unhas coloridas

Corpo de arlecrim

Cara redonda

Lábios carmesim. 

Rugas em toda a volta

É dura no olhar

E pulso de chicote. 

A mulher de plastico

Aparenta ser de celofame

Mas é ilusao. 

O cabelo uma armadilha

O pescoço gargalo

E o nariz ponteiro

Como quilha de petroleiro. 

A mulher de plastico

Está aí. Não se desfaz,

Não vai embora. 

 

Fogo, disse o capão, 

Quando veio à rua passear o cão. 

Derreteu-se a bit coin, 

Sumiu-se, desapareceu,

ficou resina no chão. 

O unicórnio duplicado

extingue-se

Na chama que dança

Qual bruxa

Que engravida

Do demônio. 

Era robótica a erótica 

Mulher bailarina

Com comando à distância 

Como Salomé 

 

A mulher de plastico

E plasticina 

Apodrece, mas permanece. 

 



carlos arinto maremoto às 18:56
link do post | comentar | favorito

Chuva na raiz

Vai chover no fim de semana. 

Que bom. Venha ela! A chuva.

Que o dilúvio extermine todas as coisas más. 

 

Nas escadas do meu predio

Cheias de musgo

Nascem raminhos de salsa

E suculentas rasteiras. 

São espontâneas as flores

Que decoram o caminho

Em socalcos

Que nos conduzem a nós. 

 

Gosto da chuva onde afogo

Os sonhos maus. 

Gosto da chuva que alimenta

A minha raiz. 

 

Gosto de mim. 

 



carlos arinto maremoto às 11:26
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2020
Confissão

Não gosto de Poesia. 

Tem qualquer coisa, assim... 

Estão a ver!

Qualquer coisa mais adiante

Que me escapa, 

Que não entendo, 

Que me confunde

E baralha. 

 

A poesia

É pragmática mas disfuncional

Faz pouco barulho

Está na rua, e no carnaval. 

É uma coisa de sagrado

Pecado, 

Uma peste, um vírus, 

Uma praga. 

A poesia tem cuidados 

Que um paliativo precisa

Mas, deve ser tomada com precaução 

porque

Também tem efeitos secundários. 

(como qualquer remédio ou medicamento) 

Aliás a dosagem, 

Sugere-se que seja feita a conta gotas. 

Para não cansar, para permitir a osmose. 

 

Tenham cuidado

Ao lidar com os poetas 

Eles são iguais a toda a gente. 

 



carlos arinto maremoto às 08:01
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020
O errante

Fujo de sítios onde nunca fui. 

Fujo de lá e espanto-me por não saber

Como aqui cheguei e o que faço aqui. 

Poderia e deveria não fugir, 

Mas, é a minha sina, disse-me uma cigana.

 

Então, que assim seja

Que eu em sinas não acredito

 

E para fugir, não é preciso muito

Basta não ficar.



carlos arinto maremoto às 20:59
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2020
A leitura

Há pessoas que gostam de ler

Sentem-se bem a ler

Pessoas que gostam das palavras

Dos seus sons, das suas formas

Da sua fragrância 

E que desenham e imaginam

Mundos, amores, aventuras, 

Risos e dores, nascimentos, 

Enigmas, paixões, 

Momentos de felicidade

E de recolhimento, reflexão, 

Pensamento. 

 

Tudo o que existe em todos os universos

Galáxias, nubelosas, sistemas, 

Aquém e para além deles. 

Tudo o que existiu, foi criado e será mito

Realidade, sonho ou possibilidade apenas. 

 

Há pessoas que gostam de ler

Para aprender, para educar

Para voar na volúpia da imaginação

Que a leitura fermenta. 

Há pessoas que gostam de ouvir

De escutar e de saborear

O que as palavras, as frases, 

Os incontáveis sinais ortográficos

Dizem! Ou escondem! 

Cavalgam, arreião e devolvem. 

Há espaços para respirar

Virar de páginas para suster a respiração 

Avanços e recuos na forma, na dança 

No emaranhado de tudo

Que nada é pouco. 

 

A minha mãe, tinha orgulho em saber ler. 

Juntando as letras

A pouco e pouco

Como um crochet. 

O seu pouco era tudo.

O meu tudo é nada. 



carlos arinto maremoto às 03:48
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020
Manhãs de fevereiro

Vale a pena começar 

Numa madrugada enxuta

Mesmo que enevoada

E salpicada de cores

Em amarelos florescentes

Azuis, vermelhos, rosa, 

Em cintilantes repentes

Que quando nos apercebemos

Já é pleno dia e madura a manhã. 

Vale a pena continuar.

Insistir. Prolongar. 

Vale a pena registar o universo

E deixarmo-nos levar por ele

Até ao outro alvorecer que acorda

Todas as manhãs, no dia seguinte

E a seguir, e a seguir, e a seguir

Sem se cansar, entorpecer ou acabar

Continua, sempre! E sempre! 

Vale a pena respirar o ar lavado

A luz atirada sobre as nossas cabeças, 

Corpos e pensamentos. 

Vale a pena sermos lavados

Envolvidos e protegidos

Pelo luar que depois da luz

Se faz manto, capuz e auréola

Estátua erguida, em louvor

De petreficados deuses

Que ganham vida. 

 

 



carlos arinto maremoto às 10:56
link do post | comentar | favorito

Domingo, 2 de Fevereiro de 2020
02.02.2020

Presságio?

Capicua?

Está um bonito dia de sol. 

Harmonioso. 

Confortável em temperatura. 

Risonho nas nuvens

Que andam lá pelo céu. 

Tudo está molhado

Porque ontem choveu.

As crianças Batem com os pés

Nas poças de água

Que encontram pelo caminho.

Outras, jogam com uma bola. 

Amo Fevereiro com os seus cheiros

A liberdade,

                          a paisagens doces

A mulheres sentadas nas esplanadas

Da minha cidade. 

 

Até para o ano

Em 12.12.21

Mas já não é a mesma coisa. 

Falta-lhe capicua.

Falta presságio. 

Falta elegância na raiz quadrada

De uma tarde de sol

Junto ao Tejo, 

De uma orvalhada nos campos

Tolhidos pelo frio do inverno

Que ainda avança e cá está.

 

Por essa luz intensa que transforma a vida

Em magia, em delírio, em êxtase

Como um carnaval suave

Por essas mulheres escondidas

Por detrás de óculos escuros

Que mostram seios

como ovos de chocolate

Pernas como avestruzes

Rostos de santeiros e bocas de pecado

Dedos esguios em serpentinas

tâmaras em vez de unhas

segurando elipticas

Chávenas de café. 

Consagro a minha razão de vida. 

 

Será pressagio

O sumo do diospiro

O escorrer do limão

O caudal libertador

(Depois do degelo) 

Da efluvia manga espremida 

E do sugado ananás 

Que serpenteia pelos teu corpo

Em mel e fermento. 

O dia enfeita-se

Escorre silencioso 

E se transforma

Em único. 

 

Importa repetir

02.02.2021



carlos arinto maremoto às 13:25
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sábado, 1 de Fevereiro de 2020
O chiste

Disse um chiste

Pensaram que era chispe

E comeram-no!

Atiraram-se aos ossos,

Raparam toda a cartilagem

Lamberam os tendões 

E sem sorrir

Babados com a gordura

Que lhes escorria

Do queixo, queixaram-se

Da falta de sal

E do conduto para acompanhamento

Que não existia. 

Com gente assim, não há chiste

Que resista, nem chispe

Que sobre. Vai tudo por conta

Do caixão, vasculhar as coronárias 

Razões das sargetas entupidas.

(estupidas sargetas)

No alçapão da gargalhada

Fica o chispe sem mão 

Faz o chiste contra-ordenação 

 

E foram muito felizes. 

 

*Nota: o porco só tem pé, a vaca só tem mão, e o bife que é de vaca em Lisboa é de boi no Porto. Coisa assim, nunca vista, é lição!

 

 



carlos arinto maremoto às 15:31
link do post | comentar | favorito

Casting

Ensaio geral. 

Simulação. 

Experimentar o diferente. 

Criar conforto 

Emoção. 

Voar numa estrela

Perceber o risco

Determinar a ousadia

Andar na corda 

Do funambulismo

Ter medo, gritar

Ficar calado, rezar. 

Olhar o silêncio 

Comunicar. 

 

Estou a fazer um casting de vida. 



carlos arinto maremoto às 07:49
link do post | comentar | favorito

MAREMOTO
pesquisar
 
Junho 2021
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


textos recentes

o beija madrugadas

O alicate do tempo

Manhãs de silêncio

Adorável Maio

A nossa terra

Mural II

Mural

o eterno esquecimento

A véspera

Um livro, uma história, u...

arquivos

Junho 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Junho 2016

Janeiro 2014

Março 2013

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

tags

todas as tags

favoritos

Despertar

Morrer algum dia

links
a partir de:
28.03.2010