Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Quinta-feira, 30 de Abril de 2020
O púlpito

São quatro degraus em pedra

Com um pequeno espaço circular

A servir de varandim

Rodeado por um amparo até à cintura

Tudo em pedra, apenas para um

Orador, pregador ou turista. 

 

Fica no meio de nada, perdido

Longe de tudo. 

Sempre o conheci vazio. 

 

Quando se construiu, talvez o terreiro

Em frente

Fosse povoado. Agora deserto

Serve apenas para ser contemplado. 

 

O púlpito, recuado, ao abandono

É sinal dos tempos, do refluxo

E da moratória que foi dada agora

Aos precisado da carência. 

 

Não se vê ninguém. Não há ninguém. 

E um musgo, formigas e um gafanhoto 

Sentem o arauto velho vociferar

-um dia, o mundo, vai acabar! 



carlos arinto maremoto às 17:51
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Final e princípio do terror

O que se sente quando se chega ao fim?

O que se sente quando julgamos que tudo acaba?

E se não for verdade? Se, afinal, tudo continuar?

O que se sente?

 

Dizem que entre entre hoje e amanhã há um mundo

Que separa uma coisa da outra em fracção.

Não acredito!

Nunca assim foi. Tudo se modifica devagar

À excepção dos desastres  inesperados e súbitos

Que rasgam a corda do tempo e rompem com tudo. 

Que prenúncio de catástrofe nos aguarda? Já hoje, 

Amanhã?!

 

Hoje, tudo acaba para os que morrem. 

O mês dá por finda a sua viagem. 

A noite arrepanha as cortinas da minha sala

E vomita pedaços de negro no chão sujo

Enfarruscado, da minha casa sem luz. 

(alguma coisa apagou todas as luzes

E não há um luar que desenhe os contornos

Do desconhecido, nem o tamanho do olhar)

Se tudo acabou, não posso aqui ficar. 

Todo o tempo é uma armadilha.

 

Levanto-me devagar e fujo.

Não encontro ninguém no caminho. 

Não tenho perseguidores,

Estou completamente sozinho. 

 

Em que é que o posso ajudar?

(passei a porta que divide os mundos

Estou do outro lado)

Tudo cai recomeçar.

Deveria apresentar algum documento?

Manifestar solicitude, alegria, algum desejo?

Tudo o que vejo são marcas do antigamente

Em sinais de continuidade. Um céu aberto

Uma paisagem sem limite, a teluricidade

De construções antigas, lá ao longe, num outro fim

Erguendo a vista a pensando: até onde isto

Vai dar?

Sustenho a respiração. Olho nos olhos o dia 

(massajando o pescoço que me dói, sei que

Estou vivo e nas mãos transporto um livro)

Pouso os braços ao redor do teu pescoco

E digo: vamos lá falar! 



carlos arinto maremoto às 05:49
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Quarta-feira, 29 de Abril de 2020
Sou o autor

Sou o autor, o tutor, o único, 

Aquele que, todos os dias, se faz

A escrever, a editar e a guardar. 

 

Não tenho ambição de ser lido

Os leitores não aprendem nada

Não sabem nada, 

E estão muito bem assim. 

 

Eu sou aquele que se encanta

Observando os outros

E se espanta com o mundo

E agradece ter conhecido

O lugar, o sítio, o pequeno bairro

Onde estou, vivo e despercebido

Sou igual a todos os outros. 

 

Sou o autor de muitos encantos

Esperança, sonhos, ilusões 

Que correm de mão em mão 

De boatos e invenções sem alarme

De realidades pacíficas

                                    sem exaltação 

 

Eu sou o autor, aquele que cria 

Espalha a semente

E segue em frente. 

 

Se me esquecerem, tanto melhor, 

Hão-se arranjar quem queira ficar

Candidatos não vão faltar

Aqui chegado, despeço-me 

Apresento cumprimentos e aceno

Obrigado. 

 

Bom almoço, melhor jantar

Que a poesia e a literatura

Também se comem e são alimento. 

 



carlos arinto maremoto às 07:34
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A roseira

Tenho uma roseira junto à janela

Que de manhã acorda orvalhada

Esteja o tempo que estiver, 

Na paisagem que lhe serve de olhar. 

 

É uma roseira com rosas encarnadas

Folhas verdes como toda a natureza

E espinhos pontiagudos, aguçados 

E eriçados, que não se deixa podar

E ao mais pequeno toque grita:

         sentinela alerta!

Defendendo o bastião da janela

Para onde fugiu, num dia que com ela

Quis conversar. Alerta está! Respondo.

 

Entre a porta e a janela mantemos

Uma distância respeitosa 

Deixo-lhe água, alimento e luz

E ela desdobra-se em florir,

Esperguiçar os braços

E tornar os meus dias felizes

Com o aroma que emana. 

Quem se atreve a uma intrusão?

É roseira de guarda, fiel como um cão 

Experimentem colocar lá a mão. 

 

Já a apanhei num sobressalto

Falando com as andorinhas 

Enfim... Devaneios...  coisas minhas. 



carlos arinto maremoto às 01:11
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Terça-feira, 28 de Abril de 2020
Ignorar a morte

Pretendemos

Apenas 

Que não sejamos 

Ignorados. 

Hoje, amanhã, 

Sempre!

 

Ignorar é morrer

Não! 

Não podemos ser

Ignorados! 

 



carlos arinto maremoto às 07:24
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O ovni

Inquieto, despertei com um barulho estranho

E fui à janela. O céu estava escuro de um tom azulado

Havia as luzes da cidade e um semáforo mudava de cor

Entre o verde e o vermelho, sem novidade.

 

Fiquei ali um pouco a olhar, sem pressa de recolher

Quando um risco amarelo, pirilampo, vaga-lume, 

Ou outro nome qualquer, se moveu como um cometa

Abrindo fenda no céu, com um rasto de poeira associado,

A cauda de astro que se move, como aprendemos

com os astrofisicos que sabem destas coisas. 

Havia um ruído de trânsito associado, um rodar, 

Um esmagar de asfalto pisado atirado contra as paredes

Dos amparos acrílicos do autoestrada, que perimetram

A circulação. 

Depois, sem aviso, todo o som parou. 

E, enquanto o risco no firmamento deslizava nada se ouvia. 

 

O viajante, prosseguiu em tons de amarelo, roxos, lilazes

E até alguns vermelhos incendiários uma rota eliptica

Descendente, circular. Não! Ali não existe nenhum porto. 

Voa baixo, quase ao nível dos Telhados, por cima das casas

Planando como um balão, mas com uma direcção paralela

E depois, sem se dar por isso, afasta-se. Desaparece. 

Ilumina-se e apagar-se! 

 

Fecho as cortinas. 

Adeus OVNI. Boa saúde. Dia feliz. 

Foi o meu irmão, de um outro planeta, que me veio saudar. 

Sorrio. Se contasse, ninguém ia acreditar. 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 06:06
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2020
O chiqueiro

Estamos a pôr o lixo na rua

A renovar as casas a fazer merda

Todos os dias. 

Estamos a mudar a pele e o hábito 

Estamos a parir Monos, lixo

Tudo o que sobra dos excessos

E ficamos imunes ao momento, 

Minimalistas, prontos para voltar

A ser recoletores, consumidores. 

 

O lixo é abandonado, despejado, posto casa fora

Quem vier que recupere e recicle, que faça fogueira

Ou deixe estar. Há lixo em todo o lugar. Afinal... 

Quando começa o "mundo novo" ou o "novo mundo"? 

estou farto do chiqueiro

                                      e dos porcos que nele habitam! 

Estou farto.... Mas os porcos sempre foram... Porcos! 

Não! O mundo não vai mudar. 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 07:54
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Prontidão em tempo dificil

Exausto... Experimento não respirar durante dois minutos

Claro que faço batota, enganar é uma arte, prestidigitação.

Resisto, passo o teste mesmo sem ventilador, estou apto. 

Sigo para o vestiário, procuro a farda que visto

Recebo a arma, as balas, verifico o cantil e a ração

Coloco a máscara, a viseira nocturna, luvas de maçon

O calçado é confortável e reforçado o ventre protegido

Estou pronto. Apurado. Junto-me aos meus na parada

A guerra vai (finalmente) começar.

 

Exausto... Ando sempre exausto deve ser por dormir pouco

Patrulhamos os caminhos da vida, atentos, vigilantes, 

Eu e os meus camaradas em sintonia transpomos a margem

Que separa a normalidade da excepção. Temos dias loucos

Outros sem razão tornam-se fastidioso e indolentes. 

Bebemos para esquecer e esquecemos que bebemos

Somos a guarda da retaguarda, a guarda avançada.

Somos o tempo que não passa e o esteiro que recorda

O tempo velho do antigamente ao presente. 

 

Exausto... Somos o batalhão, que se perdeu e hoje regressou

Conservado, rejuvenescido por mágicas de feiticeiro amigo

Pronto para o combate. Que a nós, ninguém nos vence

Nem nos confina na caserna das inutilidades, somos o punhal

Que escreve, que pinta, que dança, que canta e dramatiza

E a paz alcança na explosão da batalha que nunca acaba. 

 

Somos o pensamento, a ideia abstrata, a matemática, 

A ciência, a tecnologia, o médico, o enfermeiro, o bombeiro

E em todas as profissões continuamos agricultores esquecidos. 

Mas vivos. 



carlos arinto maremoto às 02:38
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Domingo, 26 de Abril de 2020
Ressaca

Não me lembro se nada. 

Foi o dia que passou, foi o tempo

Foi a madrugada enxuta, o dia raiado

Os soldados, o povo alertado, junto 

Cansado, contente, eufórico, misturado

O povo que despertou e dançou 

Obrigado uns a fugir, outros a vergar

Um povo que não se calou, nem debandou

Quando Abril nasceu e no povo se entornou

A esperança e o movimento avancaram

E o povo comemorou.

 

Não me lembro de nada, mas tenho recordação 

De tudo.

(a réplica foi forte e veio de onde não se esperava

Mas todos os dias o povo madrugava. O maremoto

Foi vencido e o povo desconfiou que os cogumelos

Regressados do exílio estavam envenenados e votou.)

 

E em festa tudo acabou. 

(que nada acaba, como se conhece, tudo recomeça) 



carlos arinto maremoto às 09:12
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Passou o dia

Passou o dia das euforias, dos desacatos

Da normalidade assanhado da lebre fugida

O dia de todas as pandemias. Passou o dia. 

E agora José?

Passou o dia e agora verifiquei que amei

E sorri e chorei, porque neste dia, que passou

Passei também. Passou o dia. 

E agora José?

Que me resta para o resto do ano passar?

Recordar o dia e a luta e a esperanca

De que novo dia há-de chegar

Não para o ano, não para Maio ou Setembro

Mas amanhã, quando a madrugada clarear

Que todos os dias são dias de comemorar. 



carlos arinto maremoto às 01:31
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Sábado, 25 de Abril de 2020
Ramadão

Eu ontem ramadei, vendo que os meus irmãos se abstêm

Na humildade da oração do Ramadão. Exemplo que destrói 

Todas as veleidades de estupro à liberdade, igualdade e fraternidade anunciadas neste Abril ao dia 25 de cada ano. 

 

Eu sinto verdadeira a fé. 

Que não tenho, informo já, 

Mas que dignifica quem a pratica

Sem usurpos sem espada

Língua afiada ou cutelo. 

 

Ramadão laico em crescente grávido 

Tal como todos os outros cultos,

hebreus, cristãos , judaicos, ortodoxos

(seitas, chás e mézinhas e os orientais também

Todos somos filhos de ninguém ) 

e a espiral do caleidoscópio na sua diversidade

Onde os crentes se sentem confortado. 

 

Eu sou Ramadão eu sou o ponto original para onde todos convergem. Eu sou o que se enxameia sem ter nome. 

E a esperança nasce e tudo rejuvesnece. 

 

 



carlos arinto maremoto às 10:08
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Abril sem máscara

Eu hoje comemoro o Abril primeiro

A distância de onde venho, 

A distância para onde parto.

 

Eu hoje comemoro o dia inteiro

Da liberdade, da igualdade, 

Do sereno fazer com humildade

E de todas as comemorações 

Sou o fim dos tempos que delego

O testemunho que transmito

A chama que há-de ainda incendiar

Quando Abril quiserem apagar. 

 

Abril que se extinguiu em maio

E depois se suicidou como sátiro enlouquecido 

Touro esporeado, demência e euforia satânica. 

Abril que Março seguinte farpeou - cavalo à solta

Faça espetada no coração dos ingénuos 

Que fizeram a revolução.

 

Eu comemoro os finados e agradeço por viver

Abril. Eu comemoro os soldados e agradeço 

A esse povo imenso, a esse povo manso, revoltado

Mas honrado que fez o mundo girar, e dar lição 

Que somos equilibrados e a mais velha nação.

 

Eu comemoro o meu filho de abril

Num futuro que há-de ser seu e dos que o amarem.

 



carlos arinto maremoto às 07:20
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Eterno abril

No ano 25/25

Se o Homem ainda for vivo

Estaremos a falar de flores

E de revoluções, como hoje

A festejar os anos do meu filho. 

 

Abril será eterno! 



carlos arinto maremoto às 01:18
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2020
Sem assunto

Depois de tudo ter dito e feito

Fico sem assunto

Já nada mais há a tratar.

Estou pronto para ir para o "lar".

 

Espera aí...!!!

Também não é caso para tanto

Tanta crueldade, e vingança, 

Meu santo apóstolo que me redima

Mas, não vou aceitar, 

Alguma coisa se há-de inventar

Então e agora...

Que tudo está ( de novo) a começar 

Aqui... sim aqui e em todo o lugar. 



carlos arinto maremoto às 09:52
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2020
Branco e escuro

Branco. 

O horizonte está branco. 

O sol está branco e tudo parece da mesma cor. 

Branco de leite, de roupa branca lavada, 

Branco de todas as cores.

Não!

Há um despontar, leve, tímido, por baixo, 

Em verde. Diversos tons de verde.

Ouço um rio que corre... Agulhas nos pinheiros 

Apontam para o branco do céu que se esfuma. 

E fica só uma neblina. Uma rede muito fina

Já não branca, mas transparente, 

Que em segundos, alguns instantes depois

Muda para purpurina. 

E quando reparo, já não há luz, nem branco

Ou outra cor qualquer. É apenas noite. 



carlos arinto maremoto às 19:38
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A mentira

Acho a mentira porreirinha, fofinha. 

Afinal a um autor, um escritor... 

Não se pede a verdade, mas que seja criativo

Inventor, que minta com sinceridade.

A mentira é menina, coisa pequenina, 

Do tamanho de todas as coisas do universo

Que depois crescem. 

Sem mentiras não há verdades. Falta tudo

Comparação, equidade, arresto da discussão 

Até mesmo a confusão de saber onde está 

A diferença, que torna verdade a mentira

E a mentira verdade. 

 

A mentira é uma capa que nos imune

Que nos proteje da realidade

Mentirosos os que mentem, cativos

Da sua doença, compulsivos enfermos

Que se perdem no areal do delirio

Porque deles será todo o reino

E toda a nudez. 

 

A mentira é um afrodisíaco, tem perna curta

E tendo a mutação do camaleão, quem mente

Tem razão. É uma solução! Uma erecção! 

 

Depois desta reflexão, continuo a achar a mentira

Porreirinha, fofinha. Uma debilidade, uma vocação. 

E mentindo engano e me escondo e deixo de ser eu

E não descubro, quem sou. Ou quem fui. 

Tudo à volta de nós é falsidade. Mentira, ou verdade? 

 



carlos arinto maremoto às 12:06
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Suspiro, soluço

Digam-me que não é verdade...

(Suspiro)

Digam-me as coisas que quero ouvir

(soluço)

Digam-me que sonho e que morri

E agora vou voltar a ver o mar

(o meu pai, a minha mãe, a filha querida

Todos os que amo) 

Digam-me que é mentira que nada houve

E foi delírio, febre e anestesia que correu mal

Comboio que descarrilou, mas isso acontece

Digam-me que o amanhã há-de amanhecer

E os pesadelos, as angústias e as tormentas

Esqueço. 

Descansem-me. Façam o favor de me acalmar

Eu quero ter forças para aguentar. 

(suspiro, soluço) 

 

Digam-me que fui e voltei e no caminho

Nada vi, nada encontrei. Isso testemunho

E por isso me sinto culpado. 

Digam-me que o mundo e a sua razão,

A possível justificação, estão fechados.

Não compreendo. 

Não tenho olhos nem vejo.

Não compreendo. 

Sinto apenas falta de tudo e choro. 

(Suspiro) 

E choro. 

 



carlos arinto maremoto às 11:14
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Silêncios

Há um silêncio de bigorna

Que me incomoda

Que não sei explicar. 

Um silêncio que mata, 

Que esmaga 

Um silêncio que corrói 

E se cola à pele.

Um silêncio que tortura. 

 

Sacudo o silêncio 

Mas este permanece

Onde estou?

Que silêncio é este?

 

Nem vento nem movimento

A cidade está morta, sem ruídos 

Há apenas uns papéis no chão 

Ferrugem nas janelas, 

Um só candeeiro aceso

Estilhaços, vidros partidos

E robots de apanha do lixo

Desmantelados.

 

O silêncio refulge e é pesado

Agrilhoa e não deixa respirar

O silêncio persiste é tudo em volta

Não tem cheiro, nem sabor

Nem sei se existe. (eu ou o silêncio) 

 

Silêncio... Silêncio. 



carlos arinto maremoto às 06:15
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2020
Temos de ter segredos

O segredo é importante para a nossa individualidade. 

Segredos que nos fazem bem, que nos dizem que somos únicos 

E também que sabemos o que só nós sabemos. 

Segredos de íntimos nunca revelados, segredos de desacatos

De amores proibidos, de aventuras que fizemos, 

Ou gostaríamos de ter feito. Segredos de culpas e de receios

Segredos de termos chegado aqui sem ajuda e sem medo.

Segredo de querermos continuar, negando, recusando aceitar. 

 

Os segredos são capitais guardados em baús do tempo

Alguns que já esquecemos, outros que sempre lembramos 

Que queremos contar, mas que nunca houve quem ouvisse

E ficam armazenados num espólio que desaparece 

Logo que o corpo deixa de ter segredos e parte sem nada

Para o segredo que nunca ninguém revelou: o depois, 

O amanhã, o que há-de voltar a ser e segredos guardar. 

 

Impossível! Diz o céptico. Todos os segredos são revelados 

Possível! Diz o ilusionista, o segredo é magia, truque, pretigitacão

Dissimulação de artista, ocultação. 

 

Os segredos são apenas aquilo que não sabemos, 

O desconhecido, o que não experimentamos, 

O que fica em nós, depois de despido o que os outros vêem. 

O segredo, somos nós. 

 



carlos arinto maremoto às 09:19
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O elevador

O elevador pára, saío no primeiro andar.

O elevador pára, saio no segundo andar. 

O elevador pára! agora vou entrar, subo, 

O elevador pára, agora vai descer, e apeio-me

Agora, quem vai a subir é o monta-cargas

Já não sei se devo entrar ou sair. 

O melhor é ficar, quantos pode transportar? 

 

O elevador funciona como um zip com molas

Sobe e desce da cave ao terraço na vertical

E vai e volta e torna e regressa e já cá está. 

O elevador, do saguão, do chão ao Pentecostes 

 

O elevador que nos abre as portas, para entrar

E nos mostra um espelho, um tinir, em cada andar, 

Com um grito de ganchos e uma música suave

Num solavanco, num emprevisto,  fica parado, 

Entre duas paredes, confinado, avariado. 

 

O elevador continua a trabalhar, depois de arranjado.

O elevador vai subir, o elevador vai descer. Obrigado.

 

 



carlos arinto maremoto às 01:46
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