O jardim está um matagal.
Porque não foi cuidado
Secou. Ficou sem flores,
Sem relva, sem beleza
Porque tudo cresceu disforme
Em erupção, selvagem
Como uma explosao de cores
Que morrem no esforço
De se erguerem.
Os ramos, as hastes, os rebentos
Cruzam-se e amaranham-se
Sobem apressadas
Magras, raquiticas, desengonçadas.
O jardim até podia estar bonito,
Mas não está: sujo, porco de lixo
Urbano.... atulhado.
Sim, o jardim está fechado.
O éden, acabou!
Sou vicário de mim.
Sou alcateia
E jardim.
E no tempo que lá vem
Serei o céu estrelado
O luar engomado
E a terra sem fim.
Mar de fantasia
Estrumado, adubado,
Pronto a deixar-se semear
Colher, pescar,
E no início, como sempre,
Regressar, continuar.
Aqui começa o vento
Sou vicário de mim.
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