Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Segunda-feira, 31 de Agosto de 2020
Naturalmente, quase óbvio

Tudo o que existe tem uma linguagem. 

Somos analfabetos no diálogo

E recusamos compreender o que é óbvio. 

 

Uma pedra contou-me histórias de há muito tempo

Uma árvore recitou-me poemas esquecidos

E cantigas de meninos debaixo dos seus braços. 

Uma raposa, olhou-me nos olhos, e falou-me de chuvas,

Incêndios, enxurradas e de muitos seres, como ela, 

Que vivem longe dos humanos, espantadas mas livres

Sem medos ou maldades, crises ou dúvidas.

 

Percebi que os diversos seres que nos envolvem

Sabem quem amar e vivem com os que os estimam

Como amigos, vizinhos ou cúmplices. 

É ilusória a sua indiferença. 

 

Aprendi que faço parte de um conjunto

E que a minha energia nasce e se transmite através de todos 

Como um rio, que é nascente e mar. 

Que morrendo se junta e se reergue em letras, em silabas

Em linguagem e vontade de crescer juntos

Numa eterna e misteriosa ebulição de silêncios 

Que se escrevem para além das palavras. 

Passados e longínquos futuros, 

                                                       neste presente. 

 

 



carlos arinto maremoto às 17:12
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Incendiário

Há fogo no papel

Incêndio na floresta

Fumo negro

Cheiro ácido 

Cisco e acendalhas

Revolteando no ar

Hoje, ardem florestas

E livros e autores

Numa incineração 

Pandémica 

(que outra coisa não sabemos fazer)

Desaparecem passados

Meses, anos, séculos 

De vida tornadas cinzas

Morrem pássaros, animais, 

Insetos e memórias. 

Fogo, labareda neutra

Símbolo de todos os pecados

Purga e castigo inquisitorial

Derradeiro inferno

Com que se acena aos crentes

Devastação que reinicia

O mundo e a erupção da vida

 

Há fogo no papel e na palha seca

Deste Verão, sem Estio, mas de sufoco. 

Nesta carne que se esfuma em nada

Nesta energia que se consome e desaparece

Apagando-se sempre, depois de arder.

 

É uma questão de tempo.

De sorte, às vezes, de destino eternamente. 



carlos arinto maremoto às 07:26
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Domingo, 30 de Agosto de 2020
A normalidade dos frutos

A laranjeira dá laranjas, 

A tangerineira, tangerinas, 

O limoeiro, limões, 

Tudo normal, por enquanto. 

 

Corto alguma rama, folhas, 

Pernadas, hastes, 

E sinto o perfume que anda no ar

Entre flores, frutos, e copas frondosas

Perco-me no meio do pomar. 

 

Ainda não é tempo, 

Mas logo tudo estará amarelo e rosado

Pronto para se colher e comer. 

 

Fresco, doce, perfumado

São os citrinos

Com que converso logo pela manhã.

-vamos coragem! Sol, luz, água,

Terra boa esta, onde tudo cresce.

Eles devolvem-me a gentileza

Abanando os ramos, crescendo em direcção 

Ao infinito, para cima, sempre mais para cima

Até que, ficando junto ao tronco e às raízes, 

Me sinto impotente para os abraçar

Ou mesmo acompanhar com olhar. 

 

Os frutos voam. 

Quando ficam maduros, não caem no chão 

Como outros frutos, quaisquer.

As laranjas, as Clementina, os limões 

Voam das alturas pelo espaço deitando sementes

Sumo, cascas, gomos, bençãos e protecção

A todos os que cá estão, 

E aos viajantes que ousam olhar para cima. 

 

Árvores, pássaros, animais e deuses

São uma tela onde a resina das cerejeiras

(a seiva dos pinheiros ou o sangue das ameixas) 

Mostra a sua arte, indizível e perpétua.

De êxtase da natureza. 

 

Tudo normal, por enquanto. 



carlos arinto maremoto às 16:29
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2020
Sem palavras

Sinto que estou algaliado. 

Não pelos chineses

Ou pelos disparates que se vão escrevendo

Nas redes sociais

Mas por mim. 

Não me afasto do curral mais do que cem metros

Nunca ultrapasso a cerca e o delimitado no chão 

(ambos apenas existem só na minha cabeça)

E quando quero fugir esmaga-se-me o coração. 

Sou prisioneiro de mim. 

Vivo condicionado com freios nos tornozelos 

E se me arrependo torno-me sal em monticulo 

Qual pirâmide do Egipto antigo

A ver passar os judeus em busca da terra santa

A prometida! 

Arranho as paredes desta cela e bebo a cal

Que me mata aos poucos, antes de me calar

Em definitivo. 

Tenho as unhas cheias do sabugo do mar

E os olhos de tão cansados, são borboletas

Que não sabem voar. 

O meu corpo deixou de existir. Sou apenas o vento

E o luar. 

 

Até sempre, companheira. 

 

 



carlos arinto maremoto às 07:20
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2020
A morte das baleias

O carro (grande, alto, verde) chega pela meia-noite.

Vem recolher o lixo. 

Encosta-se ao contentor e alça das suas tenazes

Levantando a cabeça e a báscula para sugar os despejos

Que foram sendo acumulados durante o dia. 

A operação, de eclusa, é rápida. 

O enorme estômago do monstro degluta tudo num ápice. 

E depois vai à sua vida. 

Desloca-se para outro abastecimento

Rodando sempre pela cidade até de madrugada.

Pequenos homens verdes deslocam-se com ele.

São pontos-luz, pirilampos, acendalhas fumegantes. 

Há um ruído de esmagamento, uma mastigação. 

Dizem que se movem por contágio, que aspira ablações

Que regenera mutilados e óleos não essenciais. 

Bebendo escorrências.

O lixo, todo o lixo, lá vai. O lixo e os liliputes que se movem nele

Como os electrões em torno do átomo ou coisas assim. 

O lixo, é agora vómito que desaparece das ruas. 

 

Fica um cheiro no ar

Uma náusea que se esquece, uma nódoa que mancha

A noite, a estrada e a vida do planeta encharcado em despejos

E arremessos de construção bolsados, em sujidade

Em dejetos, plásticos, embalagens, químicos,

Cascalhos, vidros, madeiras, restos de comida... 

Restos e mais restos de um todo que já é resto de si mesmo. 

Uma descontinuidade. Um sujo. Uma estrumeira. 

Um buraco para onde se injecta diarreia de desprezo

Inflamação de recusa em restaurar e reinventar

Um desperdicio em cima de desperdício. 

Em objectos que passaram de moda, e morreram de uso. 

 

O lixo é o nosso cemitério coletivo de esgoto

Vivemos como as minhocas a produzir cefaleias

Depois não reclamem que a vida está moribunda

E a terra acabou. 

O impensável, aconteceu: afogam-nos no residual.

Também nós somos o que resta. 



carlos arinto maremoto às 01:15
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2020
Cebolo da lágrima que cai

Réstia é um molho de cebolas.

Nada de fragmentos de sol ou de luz 

Nada do que fica depois de ter sido

Nada do que pode restar para lembrança.

Réstia de trabalho duro

Emaranhado de ramagem verde

Posta ao sol a secar

Para amadurecer e durar.

É se vos fizer chorar os olhos, 

Resta-vos com água enxaguar.

 

Senhora cebola amiga

Os meus cumprimentos

Até qualquer dia. 



carlos arinto maremoto às 21:42
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As pombas

Enxota a poesia 

Como se dá miolo do croissant aos pombos

Enquanto estes - disputando território aos pardais -

Buscam bicar tudo o que sabe a açúcar, farinha

E ovos. 

Pelo entretanto ficam os assentos repletos 

De espargidas cagadelas, caganitas e outras defecações.

Nao me venham dizer que são "giros" os pássaros

Espinhos, espetos e aguçadas lanças acabem com eles

Enxotando-os.

Obrigado-os a alimentarem-se da natureza.

Para longe pombos cruéis. As crianças vão apanhar as vossas penas.

Fujam enquanto podem! 

Pardais ao ninho! 

Toca a recolher enchendo a árvore de pius e xilreios. 

A poesia saiu à rua, mas arrependeu-se

Anda constipada, coitada, diarreia de passarada. 

Um dia destes havemos de subir o Tejo de barco

Um dia destes havemos de voar 

E voar e voar e voar... E então, perceberemos... 

..... Ou não! 

 

 



carlos arinto maremoto às 18:45
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As pombas

Enxota a poesia 

Como se dá miolo do croissant aos pombos

Enquanto estes - disputando território aos pardais -

Buscam bicar tudo o que sabe a açúcar, farinha

E ovos. 

Pelo entretanto ficam os assentos repletos 

De espargidas cagadelas, caganitas e outras defecações.

Nao me venham dizer que são "giros" os pássaros

Espinhos, espetos e aguçadas lanças acabem com eles

Enxotando-os.

Obrigado-os a alimentarem-se da natureza.

Para longe pombos cruéis. As crianças vão apanhar as vossas penas. Fujam enquanto podem! 

Pardais ao ninho! 

Toca a recolher enchendo a árvore de pius e xilreios. 

A poesia saiu à rua, mas arrependeu-se

Anda constipada, coitada, diarreia de passarada. 

Um dia destes havemos de subir o Tejo de barco

Um dia destes havemos de voar 

E voar e voar e voar... E então, perceberemos... 

..... Ou não! 

 

 



carlos arinto maremoto às 17:43
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As luvas

Calço luvas

Para apanhar as uvas

Não quero estragar as unhas 

A pele da cor da cereja madura

Do sol e da praia.

Calço luvas para sacudir o virus

E encurra-lá-lo no preservativo

(pegajoso de látex) 

Enquanto mexo na fruta

E apalpo os queijos

No supermercado.

Calço luvas para a estreia 

O concerto o jogo e até para passear

Não vá o frio congelar

As minhas mãos de anjo de dedos delgados

Com penugem de marmelo. 

As luvas, nos pés, são meias. 

Na cabeça chapéu, barrete ou carapuço. 

De luvas poso nu junto a um cavalo

Segurando os arreios. 

Tiro as luvas para dormir.

 

Que glicémia!

Onde é que isto vai parar!?!

 

A economia

Vive de luvas

E empernancos por debaixo da mesa. 

São rosas as luvas que eu trazia. 



carlos arinto maremoto às 11:40
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Domingo, 23 de Agosto de 2020
Despertar

Ao longe, 

O latido de um cão. 

Todo o resto é silêncio. 

Uma viatura a combustão

Dá o seu contributo

Com ruido

Para degenerar a natureza. 

O cão cala-se. 

Ouço agora o silêncio 

E percebo que o dia

Se levanta manso

Terno, suave e sorridente. 

Lavo a cara, 

Esfrego os olhos, 

Faço alongamentos musculares

E caminho

Com os pés na água fria

Que corre solta

Pelos cascalho e areias

Do meu pensamento

Em direcção a ti. 

 

É domingo. 

 

 

 



carlos arinto maremoto às 08:05
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Sábado, 22 de Agosto de 2020
Dobrada

Dobrada com feijão branco. 

Quer dizer, isso não é comida de verão. 

Nem de gente. 

Mas eu gosto e faço aquilo que quero

Com cominhos e refogado

Uma farinheira e um chouriço de carne

Salpicão, 

(numa tijela à parte) 

Vinho tinto ou cerveja a acompanhar

Dizem que é estômago 

Que é preciso ter. Concordo! 

Se quiserem chamem-lhe tripa. 

(falta o livro e a carapuça, a mão da vaca

E a orelha do porco partida em cubos, 

O presunto, por favor, não se esqueçam 

De um naco de presunto salteado

E a galinha aos bocados) 

Eu quero que vocês se danem

Com a vossa "comida saudável" 

E suplementos e outras idioteiras

Venha de lá esse corpaço

Num abraço

Que com este almoço eu já dormia

Um queijo de entorna foi o culpado. 

Dobrada estendida a corar 

Como a roupa branca ao sol 

Lavada com limão e a água corrente da fonte

Que me refresca e salpica

Bebedeira de prato cheio e copo a transbordar

Que deselegante o estômago 

Vai ficar. 

Estou-me a marimbar

Não sou marinheiro

Sem amores a confessar. 

O que é que eu tenho a ver com isso? 

Com aquilo, com o outro? 

Amanhã, se deus quiser, feijão 

Feijão , feijão, hei-de voltar a comer

Que hoje choveu

E o tempo não está para desgraças. 

Vamos ao Minho, caraças! 

Paramos no Porto para almoçar. 

 

 

Este não-poema descobre, com surpresa, que Álvaro de Campos (também conhecido por Pessoa, Fernando Pessoa) escreveu sobre esta matéria. É pensava eu ser original. 



carlos arinto maremoto às 01:06
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2020
A estrada

A estrada está barulhenta. 

As obras nunca acabam... 

Sirenes, buzinadelas, apitos. 

Tudo corre e pára e anda e ultrapassa

E passa, e fica para trás, 

As árvores e os paredões, as gelosias

E as janelas, o aqueduto, a ponte

O ribeiro, a publicidade. 

Outra vez a publicidade. 

Choque, arranhadela, acidente... 

A estrada é movimento

Incêndio, capotamento, polícia 

Bombeiros, feridos graves. 

A estrada é grito e atravessamento. 

A estrada é pavimento

Câmaras, semáforos e riscos no chão 

São corpo deitado, clínica de vigilancia

E cuidado. 

A estrada vai e a estrada vem. 

Nascem espontâneas e daninhas na sua beira, 

Outras já lá estavam ainda a estrada não existia. 

Incluindo as mimosas que tapam a vista

E a sinalética. 

Ah! A sinalética, que ideia excelente antes do gps

E aquele cafezinho com lugar para parquear. 

(em algumas zonas do país, desenvolveu-se

Uma língua diferente do português e do mirandês 

E o turistés)

 

Estaciono. Deixo o carro. Sigo pelo trilho. 

Silêncio! 

Podemos agora conversar? 

 

 

*declaracao de interesse: isto não é um poema.

 



carlos arinto maremoto às 10:54
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2020
Taxi

Sonhei com táxis. 

Disparate. Ninguém sonha com taxis

Isso é confusão ao recordar. 

Talvez com a motorista... 

Sim era uma mulher quem guiava

E eu chamava por ela, 

Debruçava-me entre os bancos e conversava 

Minha mãe, minha namorada. 

Foram instantes de vertigem, de andares

De conversa entre nós e prazeres de embalar

Alguns de sedução e de desejo, 

Senhora do meu corpo, por inteiro... 

Depois, numa curva do destino

Fiquei do lado de fora

E o táxi, lá foi à sua vida, não me levando

Deixando-me estranho e abandonado. 

Vi-o afastar-se, perder-se na cidade

Acenei um chamamento mas foi um adeus

Chovia e regressei, onde? Desconheço! 

Ninguém me diz onde estou e o que faço aqui. 

Passam outros taxis

Nos vidros molhados, lambidos pelas escovas

Não distingo quem vai ao volante 

Até posso ser eu, distribuidor de alugueres

Alternador de clientes, consumidor de feitiços 

Mas receio que o táxi tenha vida própria

E eu sou passageiro ocasional. 

Mudo de táxi. Estaciono. Deixo-me ficar.

 

Há uma praça no meu rossio

E um táxi para me levar para o destino final. 

Encontramo-nos todos lá.

Hoje, amanhã, qualquer dia, sempre à mesma hora.

Uma praça sem sardinhas

Onde os táxis fazem fila recebendo clientes

Que depositam em outros lugares. 

 

Alguns nunca regressam. 



carlos arinto maremoto às 07:59
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2020
Morrer algum dia

Lamento. Tenho mais que fazer

Que escrever poesia. 

Ou contos, ou literatura, 

Ou outra coisa do género 

Como canções e teses de doutoramento

Lamento, 

Estou ocupado a não fazer nada

Aguardo a chuva e o inverno

A geada e os dias frios

Na minha almofada emborralhada

Por estas vagas de calor

Que me matam a paciência. 

Não vou de férias, porque não vou, 

Não quero, não me convencem a mergulhar, 

Fico aqui. Vigilante. 

Alguém tem de combater o insurgente

Monotorizar (agora diz-se assim)

O degelo das calotas e o aparecimento

De fósseis e vírus com milhões de anos

Soterrados e agora descobertos. 

(antes dos dinossauros, muito antes)

Libertos, seria mais correto dizer... 

Temos de estar atentos. 

Morrer, sim, mas devagar. Lamento. 

Manifesto a minha indisponibilidade 

Para morrer algum dia.

Fico aqui. Não vou! 

 

(Mais um não-poema. Numa corrente de escrita que vou inventando o sorrindo) 



carlos arinto maremoto às 12:16
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Morrer algum dia

Lamento. Tenho mais que fazer

Que escrever poesia. 

Ou contos, ou literatura, 

Ou outra coisa do genero

Como canções e teses de doutoramento

Lamento, 

Estou ocupado a não fazer nada

Aguardo a chuva e o inverno

A geada e os dias frios

Na minha almofada emborralhada

Por estas vagas de calor

Que me matam a paciência. 

Não vou de férias, porque não vou

Fico aqui. Vigilante. 

Alguém tem de combater o insurgente

Monotorizar (agora diz-se assim)

O degelo das calotas e o aparecimento

De fósseis e vírus com milhões de anos

Soterrados e agora descobertos. 

(antes dos dinossauros, muito antes)

Temos de estar atentos. 

Morrer, sim, mas devagar. Lamento. 

Manifesto a minha indisponibilidade 

Para morrer algum dia.

 

(Mais um não-poema. Numa corrente de escrita que vou inventando o sorrindo) 



carlos arinto maremoto às 12:05
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020
A maldade humana

As casas continuam casas, 

Os passeios, empedrados de pedra, 

As ruas, asfaltadas, lisas e negras,

Um buraco aqui, outro ali, uma cova, um salto

E nas arestas da cidade a vida mantém-se

Pacifica (salvo um crime ou outro, uma zaragata

Um olhar provocador, uma dívida que arranha)

Como pacífico é o oceano que tem ondas, 

Tempestades e violentos tornados,

Porque tudo faz parte da natureza

Incluindo cães e gatos e outros bichos

Que não são para aqui chamados. 

Portanto. E resumindo:

Tudo continua igual, porque tudo ficou diferente

É a vida, é o momento que diz presente!

 

Bom dia para todos, mesmo os que têm pés-quebrados

(rimas que não rimam e rimas que desarimam) 

Soube hoje quando fui ao médico.

E lí no jornal que existem óbitos negativos. 

Admirável, não é?

 

*mais um não -poema. Procurem nos esgotos a razão para a maldade humana. Ela também defeca. 



carlos arinto maremoto às 11:36
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Domingo, 16 de Agosto de 2020
Os rebuçados

Caem rebuçados do céu 

Com envelopes por vestido e guarda-chuva

Coloridos

Adoçando a paisagem

Riscada por vértices e pinceladas curvas

De sorrisos garridos.

Sao chuva de enfeite em serpentina

Mel de todas as cores em fio e cortina. 

E eu, guloso,  beijo o desejo

Na boca que me beija

E fico feliz. 

São rebuçados do céu, que caem na minha boca

Flores que o mel espalha e crepita

Na boca que me beija e grita:

Amor! 



carlos arinto maremoto às 18:25
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Sábado, 15 de Agosto de 2020
E agora?

E agora?

Sim, e agora?

Que dizer, que fazer

O que pensar. 

E agora Gisela, e agora João? 

Agora é já, 

Neste momento

Agora

Com emoção 

Vivo no agora

E sem a ilusão do impossivel

O agora dá-me razão 

Motivo

Compreensão. 

Agora é sempre

É ser é poder

Amor e amar com alma

E com paixão. 

Os olhos sentem

E vivem

O ar que respiramos

E nos abraça:

NA tarde tranquila

NA noite profunda

NA madrugada

Somos nós. 

Somos sempre nós. 

O  que vestimos, 

E o que despimos

E o que somos. 

E agora?

Nada... deixa o agora ser, 

E sendo agora, somos 

O ontem e o depois

Agora é união

É hora, 

É o sempre! O segundo

Que não se extingue

O agora que não morre

É já... É agora!

Está a ser. É sempre. 

Vamos lá... É agora! 



carlos arinto maremoto às 19:11
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020
Roxo

Encontrei uma maçã roxa, na minha árvore preferida

Que nem sequer é uma macieira... 

Estranho! Pensei... Uma maçã roxa?

E porque não? Se calhar é romã ou maracujá,

Redonda, assim, oblonga a fazer gomo

Por baixo de uma casca oval em serpentina, 

Laranja, tangerina, limão e lima ocarina 

Mas, numa macieira? Numa espreguiçadeira? 

Num campo florido de amarelos e vermelhos

Que são alimento para o gado... 

O mundo está do avesso, é sabido. 

Sempre esteve, mas piorou, por causa do clima

E tal, e coisa, pois, e também, todos os dias

A alterarem o clima dá ruptura na canalização 

E depois os frutos nascem roxos e crescem

Mais roxos ainda e amadurecem roxos

E o vinho tem um sabor frisante arroxeado

E já não posso estar de pé e vou-me sentar.

Ah! Que bem que eu me sinto no luar

Sonhando com coisas tuas e tempos passados

E depois volto a descobrir que sou carmim

E fazemos par no andarilho e deixo-me ficar

Até que o meu rosto se torna roxo e morro. 

 

Não é nada do outro mundo. É das leis da natureza

Gostar de ti. 



carlos arinto maremoto às 21:25
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
O livro na cadeira

IMG_20200812_113351.jpg

 

A mesa e a cadeira estão coxas. 

Coloquei-lhes um livro por baixo da perna mais curta.

A "coisa" ficou estabilizada. Horizontalizada.

Como era um livro que vinha com um jornal

(Daqueles que só servem para amparar pernas de mesas e cadeiras coxas....nao sei do que trata, pois não li.) 

Espero não amolgar as letras, nem as fotos ou os desenhos, 

Nem alterar o rumo da "história" que, eventualmente, possua.

Um livro tem muitos usos, até para chegar mais alto, 

Na ausência de um escadote. 

E ficam tão bem nas videoconferências caseiras...

Também há livros para ler, com folhas e tudo. 

Um mundo de concursos com livros (Lello, Netflix, etc)

Um mundo de possibilidades de nivelar mesas e cadeiras

Colocadas em chão irregular que abateu ou eruptou.

Um mundo de imaginação coalhada por espelhos

E delírios fustigantes de pedras que lapidam.

(execução de sentença, nos tempos primitivos, que hoje vivemos)

Maciesa de cunha. Aí Deus e o é! É assim, meu amigo!

 

*ISTO NÃO É POESIA.

A poesia bebe-se este texto atira-se.

 



carlos arinto maremoto às 08:37
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