Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020
O regresso na gestão (crónica economicista)

Gerir a angústia, a perspetiva 

A paz ou a guerra, 

Gerir a saudade, o futuro, a realidade

Gerir a fome que só desaparece 

Quando se mata, 

Gerir a vontade, o desejo, o lume que nos enxameia

O sol que nos abraça e o mar que nos rodeia.

 

Gerir as lágrimas e os sorrisos

O que pensamos ser

A noite e o dia que trazemos dentro de nós

E nesta contenção de sermos sociais

Termos tempo para ficar e ir

Meditar e lembrar sem esquecer de amar

Que somos a única vida que nos une, 

E gratos voltamos a beijar e a percorrer

O caminho dos corpos na torrente da urgência

E da plena ousadia de continuar. 

 

O mundo só acaba depois de amar.

O mundo só acaba depois... 



carlos arinto maremoto às 17:31
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Lazarento

Nessa cidade, onde havíamos chegado

Não encontrámos ninguém.

As águas estavam cheias de alforrecas

De orcas gigantes que afundavam os barcos. 

Em terra todas as culturas abandonadas,

Casas devolutas a quem as quisesse ocupar. 

Alguns pássaros necrófitos, um unicórnio

E um pequeno dinossauro, meio dragão, 

Olham-nos curiosos.

Havia árvores com estranhas folhagens

E flores que se abriam mastigando insetos

Um bruá emergia do solo, longo, surdo, penetrante 

E todo o ar tinha um tom acinzentado de fumo

Que cheirava mal e caia sobre todas as coisas. 

 

Tudo era um curral

Uma vez dentro não havia como fugir.

 

Chegados aqui, pela nossa ingenuidade

Incúria, desatenção e inconsciência... 

Também vontade e missao, persistência, 

E não tendo encontrado ninguém

Fomos impedidos de regressar por uma muralha

Que, saída do nada, se ergeu à nossa frente.

Tornámos a regressar à praça e um esquifo

Qual gárgula vestida para nos atormentar 

Aponta-nos o caminho com a causa em seta. 

Agradecemos fotografando a sua vaidade

Enquanto ela faz pose e fugimos. 

Ouvimos rugidos à distância,

Máscaras e caretos saltam-nos às canelas,

Já longe, desinfetamos tudo, cobrindo o corpo

E regeneramos os tecidos rasgados, o sangue, 

Ossos, músculos e órgãos do interior da carne

Fundamentais no funcionamento do cérebro, 

Com a mística e os mistérios do pensamento

Que libertamos para que façam o seu trabalho

De apaziguamento. 

 

Lançamos uma maldição sobre este covil lazarento

Não sei se funciona, mas esforçamo-nos, virando costas. 

A praga fica a pairar, durante algum tempo por ali, 

Depois abate-se sobre o local e faz desaparecer tudo 

Ao redor. Uma lagartixa, passa por nós assustada. 

 

Escrevemos no diário de crónicas a nossa sorte

Depois de termos sido atraídos para o demente. 

Seguimos para a próxima aldeia ou cidade

Temos horas e compromisso com o destino

Se nos atrasamos podemos perecer e ficar presos 

Num nó ou emaranhado do tempo. 

 

Somos vigilantes e soldados. Cavaleiros

Etéreos guerreiros feitos de eléctricos fios de energia

E de forças que eruptam de toda a natureza

Que mitigam e serenam a realidade. 

Ninguém pode chegar primeiro, todo o segredo

Tem de ser preservado e continuado. 

 

Isto que leste, esquece! Ignora! 

Segue adiante sorrindo, há contágios, pestes 

E outras pandemias que é preciso semear. 

Encontramo-nos adiante. 

 



carlos arinto maremoto às 12:23
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