Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2020
Alice

Eu quero explodir

Quando a tua mão sobe pelas minhas pernas

E me abre as coxas e a vulva em vulcão. 

Eu quero desabar, como barragem em colapso

Eu quero ser o rio que corre

Por todo o leito do teu corpo

Até que o mundo acabe e todas as frutas

Árvores e animais que existem sobre a terra

Deixem de dar semente. 

 

Eu quero ser tua. 



carlos arinto maremoto às 00:56
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2020
Resistir

Os dias são diferentes, mas o mesmo abandono persiste

Estou onde se resiste. 

Apoiado numa bengala, talvez cajado, talvez muleta

Faço do braço esteiro, do corpo tutor e dos dedos fios de teia

Que se alcandoram aos picos do levante. 

 

Enfrento o vento e a tempestade

Finco raízes e estremeço com os gritos dos elementos

Mas resisto. Hão-de se cansar. Tudo isto há-de acabar.

E eu resisto.

 

E nas gavinhas do meu pensamento

Levo-me até ti e me abraço no teu rosto

Que me faz tornado e furacão 

Beijando a tua boca com sabor a morango

E resistindo a esquecer que um dia nos amámos. 

 

Fico! Sozinho resisto. Tudo o que imagino

É ilusão. Nada se repete, enfrentando se resiste. 

 

 



carlos arinto maremoto às 13:29
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2020
Espreguiçar

O sabor macio de te sonhar

A água tépida onde me banho

A acácia que floresce no alto

E os momentos em que te olho

Na planície da minha memória. 

 

Meu enredo. Meu segredo. 



carlos arinto maremoto às 18:21
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2020
Regressar

E sempre bom voltar a um sitio

Mesmo que nesse lugar

Nunca se tenha estado. 

Sim, eu sei, não é bem um regresso, 

É a continuação de algo que não se começou, 

Que não havia sido pensado

Mas que, intimamente, se desejou.

Como um filho! Uma amante! Ou nós próprios

Que tantas vezes nos perdemos. 

 

Regressamos a tudo aquilo em que pensamos

Com a sensação do novo, da descoberta, da aventura... 

Sim, somos sempre crianças a querer

Poder regressar( mesmo que o tempo e o lugar

Sejam diferentes, outros, sem parecença, 

Apenas vagamente similares) 

Com a necessidade de afinidade e de conforto. 

Regressamos sem pensar em partir, mas logo

Desertamos com o longínquo voo dos pássaros migrantes

Procurando o que julgávamos, estar lá,

(se não ali, noutro lugar) mas não existe nem aqui

Nem em todos os lugares onde regressamos, 

Talvez,  porque nunca existiu! 

Foi apenas a nossa cruel imaginação e memória 

Que nos confirma (enganando-nos) que houve,

Que estava lá, que era verdade. 

E regressamos, e regressamos, e regressamos

 

E sentimos que já não somos nós, 

Mas o somatório de todos os regressos!

 



carlos arinto maremoto às 11:20
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2020
muitos

Chove! 

E porque é que não haveria de chover?

Afinal o tempo é a melhor enxertia para os amantes.

 

Que mania, sempre a falar dos amores

Então e o frio que se faz sentir na serra?

E a conta no banco?

E as saudades da familia que já morreu,

Dos amigos que também se foram, 

Da tua boca e dos teus seios,

Das tuas pernas e da tua pele, tudo, todos

Mais eu.

 

Sim, não somos apenas dois, mas muitos.

Muita verdade, emoção, carinho, prazeres, dores

E também o gosto de estarmos juntos.

O mel, o suor, o brilho das estrelas, a espuma do mar

E todas as ondas por onde se faz surf , vela bolinada,

Mergulho, viajens de beleza boreal.

Por vezes naufrágio!

 

Não nos arrependemos! Aprendemos com a chuva

A esperar e a engravidar refrescando todas as sedes

Alimentando todos os vícios. Sim, porque é um vicio

Gostar de ti!

 

Somos muitos, só nós dois. Somos todos! 



carlos arinto maremoto às 10:14
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2020
Amor impossível

Quero falar-te, mas não o faço

Calo-me! 

Quero escrever-te, mas não escrevo.

Quero ver-te, mas não abro os olhos

Nem me aproximo. 

Quero sentir-te, mas arrependo-me

E recuso estar contigo. 

Quero esquecer-te

E não deixo de pensar em ti

Quero amar-te

E tudo me parece impossível 

Até mesmo

Saber quem tu és! 

E porque gosto de ti. 

 

Para nada tenho explicação. 

 

Assim, me disfarço de grifo

E me torno cadáver de mim. 

Sou o fim!

E o amanhã virá buscar-me

Como o ontem me abandonou. 

 

 



carlos arinto maremoto às 12:53
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2020
O tempero do teu rosto

Fazes-me lembrar

O sonho, o desejo, o ontem

O que perdemos, 

Tudo o que ficou e a alegria de todas as chegadas.

O sabor, o olhar, um sorriso, um beijo

As formas que um rosto adquire ao vento

Os lábios que se serram e fecham 

Ao mesmo tempo que se abrem

(como explicar isto?)

Para acentuar a identidade e o esculpir da sombra

Que uns óculos - sempre escuros, necessariamente escuros

- fazem saudade. Mas a tua imagem é eterna!

E eu olho-te, na boca pequena e quero-te

Como sempre te quiz, porque o sempre é liberdade. 



carlos arinto maremoto às 08:35
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2020
O fim

E porque nos perdemos

O tempo não achou maneira

De nos encontrar.

 

Há desafios e aventuras

Que são para sempre. 

 

Há rumos e naufrágios que são acidentes

Encruzilhadas e tumultos a rebentarem-nos a pele

O cérebro, os olhos, a luz. 

 

Há loucuras que me abraçam 

E me sufocam

E não encontro amor para resistir. 

 

Há dias tristes 

Em que não nos encontramos

E desistimos. 

 

Porque já não existimos! 



carlos arinto maremoto às 23:00
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Amar a ausência

Todos os dias

Corro a abrir as janelas da minha vida

No desejo de te encontrar

Mas tu não estás lá!

 

Adormeceste?

Tiveste outras coisas para fazer. 

Esqueceste-te

Não quiseste desejar que eu existisse

Foste apenas embora sem mim.

 

Não te encontrando, deixo a saudade

O vazio e a nostalgia de te recordar

Tomar conta de mim. 

E assim, continuas viva no meu amor.

 

 



carlos arinto maremoto às 06:51
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Domingo, 1 de Novembro de 2020
Todos colaboram

Todos ajudam. 

Os Santos também. 

Todos querem ser uteis

Voluntarios

Piedosos 

Amigos...

Depois ficamos assim, 

A cumprir tradições 

E outras obrigações 

Assim... 



carlos arinto maremoto às 14:45
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