Eu quero explodir
Quando a tua mão sobe pelas minhas pernas
E me abre as coxas e a vulva em vulcão.
Eu quero desabar, como barragem em colapso
Eu quero ser o rio que corre
Por todo o leito do teu corpo
Até que o mundo acabe e todas as frutas
Árvores e animais que existem sobre a terra
Deixem de dar semente.
Eu quero ser tua.
Os dias são diferentes, mas o mesmo abandono persiste
Estou onde se resiste.
Apoiado numa bengala, talvez cajado, talvez muleta
Faço do braço esteiro, do corpo tutor e dos dedos fios de teia
Que se alcandoram aos picos do levante.
Enfrento o vento e a tempestade
Finco raízes e estremeço com os gritos dos elementos
Mas resisto. Hão-de se cansar. Tudo isto há-de acabar.
E eu resisto.
E nas gavinhas do meu pensamento
Levo-me até ti e me abraço no teu rosto
Que me faz tornado e furacão
Beijando a tua boca com sabor a morango
E resistindo a esquecer que um dia nos amámos.
Fico! Sozinho resisto. Tudo o que imagino
É ilusão. Nada se repete, enfrentando se resiste.
O sabor macio de te sonhar
A água tépida onde me banho
A acácia que floresce no alto
E os momentos em que te olho
Na planície da minha memória.
Meu enredo. Meu segredo.
E sempre bom voltar a um sitio
Mesmo que nesse lugar
Nunca se tenha estado.
Sim, eu sei, não é bem um regresso,
É a continuação de algo que não se começou,
Que não havia sido pensado
Mas que, intimamente, se desejou.
Como um filho! Uma amante! Ou nós próprios
Que tantas vezes nos perdemos.
Regressamos a tudo aquilo em que pensamos
Com a sensação do novo, da descoberta, da aventura...
Sim, somos sempre crianças a querer
Poder regressar( mesmo que o tempo e o lugar
Sejam diferentes, outros, sem parecença,
Apenas vagamente similares)
Com a necessidade de afinidade e de conforto.
Regressamos sem pensar em partir, mas logo
Desertamos com o longínquo voo dos pássaros migrantes
Procurando o que julgávamos, estar lá,
(se não ali, noutro lugar) mas não existe nem aqui
Nem em todos os lugares onde regressamos,
Talvez, porque nunca existiu!
Foi apenas a nossa cruel imaginação e memória
Que nos confirma (enganando-nos) que houve,
Que estava lá, que era verdade.
E regressamos, e regressamos, e regressamos
E sentimos que já não somos nós,
Mas o somatório de todos os regressos!
Chove!
E porque é que não haveria de chover?
Afinal o tempo é a melhor enxertia para os amantes.
Que mania, sempre a falar dos amores
Então e o frio que se faz sentir na serra?
E a conta no banco?
E as saudades da familia que já morreu,
Dos amigos que também se foram,
Da tua boca e dos teus seios,
Das tuas pernas e da tua pele, tudo, todos
Mais eu.
Sim, não somos apenas dois, mas muitos.
Muita verdade, emoção, carinho, prazeres, dores
E também o gosto de estarmos juntos.
O mel, o suor, o brilho das estrelas, a espuma do mar
E todas as ondas por onde se faz surf , vela bolinada,
Mergulho, viajens de beleza boreal.
Por vezes naufrágio!
Não nos arrependemos! Aprendemos com a chuva
A esperar e a engravidar refrescando todas as sedes
Alimentando todos os vícios. Sim, porque é um vicio
Gostar de ti!
Somos muitos, só nós dois. Somos todos!
Quero falar-te, mas não o faço
Calo-me!
Quero escrever-te, mas não escrevo.
Quero ver-te, mas não abro os olhos
Nem me aproximo.
Quero sentir-te, mas arrependo-me
E recuso estar contigo.
Quero esquecer-te
E não deixo de pensar em ti
Quero amar-te
E tudo me parece impossível
Até mesmo
Saber quem tu és!
E porque gosto de ti.
Para nada tenho explicação.
Assim, me disfarço de grifo
E me torno cadáver de mim.
Sou o fim!
E o amanhã virá buscar-me
Como o ontem me abandonou.
Fazes-me lembrar
O sonho, o desejo, o ontem
O que perdemos,
Tudo o que ficou e a alegria de todas as chegadas.
O sabor, o olhar, um sorriso, um beijo
As formas que um rosto adquire ao vento
Os lábios que se serram e fecham
Ao mesmo tempo que se abrem
(como explicar isto?)
Para acentuar a identidade e o esculpir da sombra
Que uns óculos - sempre escuros, necessariamente escuros
- fazem saudade. Mas a tua imagem é eterna!
E eu olho-te, na boca pequena e quero-te
Como sempre te quiz, porque o sempre é liberdade.
E porque nos perdemos
O tempo não achou maneira
De nos encontrar.
Há desafios e aventuras
Que são para sempre.
Há rumos e naufrágios que são acidentes
Encruzilhadas e tumultos a rebentarem-nos a pele
O cérebro, os olhos, a luz.
Há loucuras que me abraçam
E me sufocam
E não encontro amor para resistir.
Há dias tristes
Em que não nos encontramos
E desistimos.
Porque já não existimos!
Todos os dias
Corro a abrir as janelas da minha vida
No desejo de te encontrar
Mas tu não estás lá!
Adormeceste?
Tiveste outras coisas para fazer.
Esqueceste-te
Não quiseste desejar que eu existisse
Foste apenas embora sem mim.
Não te encontrando, deixo a saudade
O vazio e a nostalgia de te recordar
Tomar conta de mim.
E assim, continuas viva no meu amor.
Todos ajudam.
Os Santos também.
Todos querem ser uteis
Voluntarios
Piedosos
Amigos...
Depois ficamos assim,
A cumprir tradições
E outras obrigações
Assim...
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