Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Sábado, 1 de Julho de 2006
reflexão II

Fiz dois mil quilómetros, por estradas nacionais, secundárias e municipais, pelo interior do País e fui pensando que cada vez estranho mais este espaço decorado com bandeiras nacionais.

Se muita coisa mudou, nestes últimos anos, não se percebe bem o objectico ou a intenção de para onde vamos:

- A grande constante são as empresas de construção ou a ela associadas.

-Nota-se que os grandes empregadores, são, depois das Cãmaras e dos serviços publicos (incluindo as EDP e as Pt ) são os distribuidores de produtos para a mesma àrea - equipamentos, madeiras, tijolo, brita, cimentos, etc -  e depois os de bens alimentares (entrega de pão, peixe ou carne e mercerearias em zonas isoladas( embora, aqui a cargo de pequenos comerciantes, hoje transformados em pequenos empresários por conta própria.

- A paisagem encontra-se inúmeras vezes ferida com enormes crateras de extração de pedra, brita e areias. Este é o grande negócio.

- Nas estradas as camionetas pesadas são uma constante, levando materiais para obras,   a par dos drituidores de combustivel. 

- à beira das estradas proliferam os stands de automóveis usados ( ou semi-novos, ideia muito melhor para vender)

- A serra da estrela está cheia de novos estabelecimentos de artesanato, com destaque para as peles e as malhas, além da aguardente e do queijo da serra a preços exorbitantes.

-Os restaurantes são uma constante, com largos espaços para estacionar. Todos têm grelhados, bitoques e fifes de peru.

- O comércio - chamado tradicional - desapareceu. Uma merceraria com fruta espanhola, uma drogaria para venda de vassouras, abanos em palha e detergentes. O pão e os legumes aparecem por entre as a maquina registadora dos jogos da Santa Casa e as bilhas do gaz.

- Na aproximação a qualquer cidade são os espaços comerciais que domimam, uma pequena urbanização com ar de novo e as rotundas, os chafarizes e os sinais de transito em profusão. Parece ter existido uma fúria colectiva em pejar tudo com limites de velocidade, sinais de interdição ou obrigatoriedade e passagens para peões,  num esforço para regular e regulamentar o comportamento dos cidadãos. 

Lagoas, ribeiras, rios, quedas de àgua, etc, são sempre um ninho de lixo e de ausência de cuidados, em águas escuras, sujas e margens mal cuidadas, ou mesmo, por cuidar.

A floresta aparece-nos às manchas, com muitos espaços a mostrarem os incêndios do ano passado e do outro ano, e do outro ainda, sem que exista, notoriamente, esforço de limpeza, corte, reflorestação. Está quase tudo como ficou, com o verde a surgir por entre a madeira velha.

As "casas do povo" são os locais de convivio, num espaço já degraradado, com balcões sebosos e lãmpadas de baixa voltagem à noite. De dia, os idosos puxam umas cadeiras para a soleira e ali ficam sem conversa nem interesse pela vida local.

Pequenos pastoreios, pequenas eiras de trabalho, alguns burros aqui ou ali, carroças de mato, lenha ou palha, puxados pelos prórpios camponeses. Alguns cartazes de festas locais, com artistas regionais. O único que sai do anonimato é o Tony Carreira em Viseu, dia ....

As conversas que se ouvem, vão do lamento a coisa nenhuma.A oferta de produtos locais para turistas é inexistente. A maior parte das portas que dizem ter algo para vender - enchidos ou olaria - encontram-se fechadas. As Igrejas também.

 



carlos arinto maremoto às 12:27
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