Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Domingo, 17 de Setembro de 2006
Lisboa

Sete da manhã. Em Lisboa, ainda existem pessoas, com olhos vermelhos, que continuam à procura de uma edição dos jornais "Expresso" e "Sol", esgotados desde ontem, pelo fim da manhã.

A cidade está calma. Não tem nevoeiro, logo não existe a perspectiva de vermos D. Sebastião aparecer por uma das praias da linha. Os bairros periféricos estão, igualmente, adormecidos.

Há brasileiros e ucranianos , um pouco por todas as esquinas. O Castelo, que já foi de S.Jorge , mantém-se lá, mas é apenas um epicentro na paisagem. Na Lapa, ao lado de palacetes e quintas escondidas por detrás de muros, as casas continuam a deixar cair um pouco de estuque, uma pedra deslocada pela humidade da noite, uma tábua do chão ou do tecto.

Passam comboios, carros electricos,autocarros , recolhendo os resistente. Existem poucos a viajar em sentido contrário, a limpeza dos escritórios será só amanhã. Novos jornais, com "novas" noticias circulam já pelas bancas, saindo já não da "casa da venda" ali em pleno bairro alto, mas algures dos arredores a seis ou sete quilómetros.

As bombas de gasolina estão todas em pré-pagamento. Como hoje é o primeiro dia de trabalho da semana - segundo o oficio que dentro em breve irá começar em muitas Igrejas - as pessoas aproveitam para dormir até mais tarde.

Aquele rio - que poderia ser Alqueva, mas é rio e vem de longe para morrer aqui - já não consta da lista de fados, amores, desamores, cantado nas casas do castiço, durante a noite. Emoldurado com alguns barcos de cruzeiro, a ponte - que como se sabe é uma passagem, para a outra margem - está fluida, sem constrangimentos ou resistências (como diriam os senhores da TSF) e sem novidades. Os primeiros aviões do longo curso, sobrevoam-na.

Passada a Mãe de água e já na Madre de Deus,  a cidade desaparece nos encontros com o sapal, as gaivotas e "esse Tejo acima" que já foi viagem na nossa terra. No sentido contrário existem restos de fogueiras nocturnas no areal. Os inquisidores acabaram o seu interrogatórias: amas-me? amas-me muito?

Sintra é o primeiro farol, depois dos faróis do guincho e antes do farol do Cabo. Onde vão aterrar os aviões já não há "favelas" mas ainda se respira mal.

Sem o "Sol" e sem o "Expresso" o lisboeta conta com uma luz de vidraça que vai cobrindo telhados e colinas. Sem pressas, devagar.



carlos arinto maremoto às 10:13
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