Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007
o estado da coisa

O sucedido na Câmara de Lisboa - com o vice-presidente Fontão de Carvalho constituído arguido, no âmbito de um  processo de distribuição de dinheiros aos seus pares e subordinados - que nada tendo a ver com o caso Bragaparques , é idêntico na forma jurídica de gestão censurável ( pelo menos até a uma decisão e esclarecimento do assunto) revela a forma como nos comportamos e o que somos e o que escondemos.

Os cidadãos hoje em dia acham que devem gerir uma imagem, mas por detrás dessa imagem existe uma outra, bem diferente e oposta.

Fontão de Carvalho sabia há já algum tempo que é arguido neste processo, mas não informou ninguém sobre o assunto . Ninguém lho tinha perguntado e assim ele fechou-se em copas. Só por este acto deveria ser demitido. Em nome da transparência, em nome da ética e como exemplo do que é censurável.

Os cidadãos apresentam-se como exemplos de virtude, como melhores do que os outros, como estando acima dos outros, mas... quando se investiga um pouco descobre-se que estão a dever, que se esqueceram de pagar, que têm um processozito em Tribunal como acusados de qualquer coisa, que afinal também enganam a mulher.. etc.etc ... como qualquer outro cidadão.

A falta de verdade e de honestidade, o estar sempre em bicos dos pés, o jurar que se é diferente e melhor do que os seus pares, é uma banalidade traiçoeira que não resiste a umas perguntas no café da esquina. Ora em politica, isto deveria ser inadmissível .

Não se confunda a situação de arguido, num qualquer processo judicial ou investigação policial, com culpa ou condenação. Nada disso. Ser arguido é uma situação normalíssima e até benéfica para os intervenientes. Tem é de se encarar o exercício da justiça como uma coisa normal e boa, em vez de se ter uma noção de que a mesma, pelo simples facto de existir, constitui uma nódoa e uma proscrição. Mas tem igualmente de se ser transparente.  

O senhor Fontão de Carvalho mentiu por omissão, o que torna toda a sociedade num estado policial de desconfiança perante os seus dirigentes e gestores. Vamos lá ver se ele está a falar verdade!? O que não pode ser. A palavra de um homem tem de ser a *palavra de um homem* e este tem de dizer a verdade, mesmo que esta custe e não seja simpática.

O senhor Fontão de Carvalho tem de saber encarar o facto de que nem todos os seus actos - por melhor intencionados que sejam - possam ser isentos, correctos e impolutos, colocando-se assim acima do comum dos mortais. O senhor Fontão de Carvalho tem de admitir que também pode errar, ou que a sociedade em que vive possa estar em desacordo com as suas decisões, e que até os Tribunais lhe possam negar a razão que defende. Como com qualquer cidadão.

A obrigatoriedade de dizer a verdade, não a escondendo e camuflando dos seus eleitores e todos os restantes cidadãos deriva do facto de ser vice-presidente da maior Cãmara Municipal do País. Pessoa com responsabilidades acrescidas, e logo, exemplo pra os restantes cidadãos. Inflelizmente o exemplo não é o forte do senhor Fontão de Carvalho.

Muitas vezes omitir significa ludibriar, o que aqui pode ser o caso.



carlos arinto maremoto às 08:48
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