Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Domingo, 29 de Abril de 2007
lidia jorge

Confesso que, por vezes, tenho o preconceito de comprar livros de autores portugueses. Mas tento combater esse preconceito "esforçando-me" por - entre um autor estrangeiro, e um português - de vez em quando optar por comprar um autor naional.

Muitas veze não me arrependo, sendo uma verdadeira surpresa e fascinio a leitura ( caso de José Rodrigues dos Santos, Francisco Moita Flores,  Miguel Sousa Tavares....) outras porém arrependo-me e fico com esse preconceito ainda mais agarrado.

Vem isto a propósito do livro de Lidia Jorge "Combateremos a Sombra."

Apenas o comecei a ler, mas estou praticamente a desistir.

As razões são multiplas:

1- O tema é chato ( as peripécias de um psicanalista )

2- A forma como está escrito.

 

Vou na página 158 e ainda não percebi nada do que se está a passar. Se é que alguma coisa se passa? O psicanalista dá consultas, umas pagas outras gratuitas. O psicanalista é corrido de casa, pela mulher, porque chegou atrasado a uma reunião social. O psicanalista encontra uma muida nas escadas do seu conultório sempre que sai ou entra. O psicanalista escuta as fantasias dos seus pacientes, cada uma mai disparatada do que a outra ( mas deve ser para isso que servem os psicanalistas, não é?)

 

A escrita é feita om "palavras dificeis" e outras incompreensiveis. Dou um exemplo, a autora refere multiplas vezes, ao tentar descrever uma casa - tentar, porque não a descreve, apenas fala dela, não criando imagem nenhuma que possa construir no leitor uma ideia da casa - a palavra loft.

Atravessou o loft, estava no loft, a casa tinha um loft pequeno.

Que raio será isso do loft?

Já perguntei aos meus amigos se a casa deles tem um loft - a minha não tem de certeza - mas todos ignoram a que é que eu me quero referir. E u também não sei.

Um loft?

As casas em Portugal têm um loft?

Nunca ouvi, não faz parte dos nossos hábitos e costumes, nem é uma coisa que se diga em linguagem de gente normal. Um loft?

É um livro chato, de leitura impossivel e sem história, enredo ou entusiasmo. Tem 482 páginas é editado pela D. Quixote e deve servir para espantar os candidatos a leitores da literatura portuguesa. Até pode ficar bem numa conversa: - andoa ler a Lidia Jorge! Mas é intragável.

Alguém me explica o que é um loft? Para que serve? Onde está? quem utiliza esta expressão?

Lidia Jorge, nunca mais.

 



carlos arinto maremoto às 11:43
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14 comentários:
De Armando Pinto a 8 de Maio de 2007 às 14:31
Há por aí uma cambada de parvos a premiar Lídia Jorge, desde há muito...
uns que se têm por mais inteligentes comparam-na com uns gajos que até escrevem bem, mas só isso, como que uns Rebelos Pintos mais cultos...

Eu prefiro seguir os parvos. E mais: já li muito da L Jorge e de outros autores portugueses

Armando Mouta Pinto


De pedro carneiro a 3 de Junho de 2008 às 10:44
Andava a experimentar o nome de Lídia Jorge na internet e dou de caras com alguém que detesta a escritora porque o último livro que leu é chato. Pronto. Nada de especial. Agora ele intriga-se com a palavra Loft que a autora utiliza e ele não sabe. Pois eu também não sabia e senti a curiosidade de descobrir. Fácil, escrevi Loft e o google deu-me logo a resposta. Seremos preguiçosos?


De maremoto a 3 de Junho de 2008 às 11:12
Meu caro Pedro Carneiro,
O que está em causa não é eu saber ou não saber...isso resolve-se, como diz, vai-se a um dicionário, à net, etc, etc.
O que eu afirmo é que não escuto nas conversas das pessoas com quem me relaciono o termo loft.
Já trabalhei numa imobiliária e nunca lá se utilizou este termo.
Será que me dou com pessoas sem loft? Pode ser, mas que a maioria dos portugueses não se reconhece na Lidia Jorge...é verdade.


De Fernando Gouveia a 11 de Outubro de 2009 às 00:35
Maremoto: A maioria dos portugueses não se reconhece em escritor nenhum, pela simples razão de que lê, ou, se lê alguma coisa que não seja novelas de cordel, não entende.
Não li o livro que referiu de Lídia Jorge, mas conheço uma boa parte da sua obra. Deveria merecer-lhe um pouco mais de atenção, ou, pelo menos, de respeito. Já se interrogou sobre se o problema não será talvez da qualidade do livro mas do leitor?


De maremoto a 11 de Outubro de 2009 às 16:48
É do leitor, de certeza.
Obrigado pelo comentário.


De Ana Martins a 27 de Agosto de 2008 às 11:13
Ao ler os comentários sobre a escritora Lidia Jorge apetece-me insultar a ignorância que vai por este País! De Lidia Jorge já li praticamente tudo, mas de facto a escrita de Lidia só é acessivel a quem tiver a capacidade de ir mais além e acompanhar a riqueza e profundidade das personagens criadas por ela!
Quanto ao seu último livro "combateremos a sombra" do qual alguém comenta ser "intragável", só tenho a dizer que de facto a escritora Lidia Jorge não escreve para quem está habituado a ler Robin Cook ou Paulo Coelho! A sua escrita leva-nos para outras dimensões! Vou dar-lhe um concelho desista e deixe este tipo de leitura para quem dela gosta e a entende!
Mas pelo menos tenha a decência de não dizer mal de uma das maiores escritoras do nosso tempo!
Já agora acho ridiculo que em 2008 não saiba o que é um "loft"!!!


De maremoto a 27 de Agosto de 2008 às 22:06
Pois é, não sei!
Já procurei lá em casa e não tenho, ou se tenho deve ter outro nome.
Acho de um pretenciosismo chamar "loft" a uma coisa que deve ter um nome em português e não faz parte do nosso vocabulário quotidiano, mas deve ser chic. Será?
Obrigado pelo concelho, vou desistir de ler "baboseiras" é muita intelectualidade para a minha carroça.
Não desisto é de dizer que Lidia Jorge, tal como a Margarida Rebelo Pinto são apenas escritoras da moda. Duvido que sejam lidas daqui a 50 anos.Cada uma pelo seu motivo diferente e oposto, obviamente.


De Ana Martins a 28 de Agosto de 2008 às 13:38
Não resisto a fazer um breve comentário mas não leve a mal: um "loft"não é nada que tenhamos em casa mas sim um apartamento sem divisórias (open space) que poderá ser criado por ex. a partir de um antigo armazém.
Já agora a comparação que faz entre as escritora Lidia Jorge e Margarida Rebelo Pinto revela que desconhece uma e outra. Lidia Jorge não está na moda porque está ao nivel dos grandes escritores e portanto a sua obra é intemporal.Lidia Jorge é das escritoras portuguesas mais premiadas quer em Portugal quer no estrangeiro e a sua obra encontra-se traduzida em diversas linguas! Ao que sei Margarida Rebelo Pinto não é nem de perto nem de longe uma escritora desta craveira e os seus livros revelam que nunca será, embora de facto seja uma das escritoras que estão na moda!
Claro que ninguém é obrigado a gostar de um escritor só porque ele é um grande escritor!!


De maremoto a 28 de Agosto de 2008 às 14:00
Obrigado pelo seu comentário.
Penso que é evidente que tenho escrito estes comentários procurando algum sarcasmo e mesmo humor.
O que eu quero dizer ao criticar a utilização do termo "loft" pela escritora Lidia Jorge é que este termo não é uma expressão tipica da sociedade portuguesa, que os portugueses usem em cada dez palavras, como parece depreender-se do texto de Lidia Jorge em "Combateremos a Sombra".
Nos últimos dez meses tive intensa experiencia profissional com algumas imobiliárias e não encontrei a expressão como uma forma de uso profissional.
Dai o concluir que a utilização do termo é um preciosismo e uma forma de "riquismo" desnecessário, pois não acrescenta nada.
Um escritor português deve escrever com termos e expressões em português, a não ser que a utilização de termos estrangeiros sirvam para ilustrar a realidade e a forma comum de utilização dos termos por moda ou vanguardismo.
Já reparou como de repente quase tudo passou a ser...."minimalista"...???
Realmente não gosto da escrita de Lidia Jorge o que não lhe retira o mérito que possa ter. Nem dos conteúdos, nem da forma como executa a narração, como usa as palavras, como descreve as situações, como retrata os personagens.
Não podemos todos gostar do amarelo. Optimo.
Prefiro Agustina Bessa Luis. Prefiro Saramago.
Já agora, detesto o "pápa" psiquiatra que era para ganhar o nóbel, mas não ganhou e todos os anos escreve mais uma coisa intragável.
Também não é pelo facto de todos dizerem bem, que o autor passa a ser bom.

Cumprimentos.


De ana martins a 28 de Agosto de 2008 às 14:34
Não pude deixar de dar uma gargalhada ao ler a última parte do seu comentário e estou certa de que se refere a António Lobo Antunes, o meu escritor favorito a par de Lidia Jorge! Mas tem toda a razão quando escreve que nem todos pudemos gostar do mesmo!
Já agora gosto bastante também de José Saramago embora tenha uma profunda antipatia por ele.Gosto do escritor não gosto da pessoa!


De maremoto a 1 de Setembro de 2008 às 22:02
Não consigo ter o link para o seu "blog"
É de facto o Lobo Antunes.
Temos de facto bons escritores e tenho pena que não se leia mais autores portugueses.


De Anónimo a 22 de Outubro de 2008 às 23:19
aqui do Brasil.
pois só citarem dos grandes, citassem ines pedrosa e aí seria ver um modelo loft de idéias: amplamente vazias.

soraia


De isadora prates dias a 18 de Fevereiro de 2009 às 21:52
Desculpem-me, mas não pude me conter, sei que é só uma opinião do então preconceituoso leitor( como ele mesmo se refere a si em relação aos escritores portugueses), que parou no comentário do gosto não-gosto. É pouco e insuficiente para comentar Lídia, António e até mesmo Saramago. Esqueceu-se de contextualizá-los e principalmente de falar sobre o corpo da escrita, o modo mesmo de fazer a escrita e as mudanças pelas quais ela (a escrita) passou até os dias de hoje e a importância dos nomes lídia Jorge e Antônio Lobo Antunes para a contemporaneidade. Talvez fosse o caso de insistir um pouco mais, muitas vezes só passamos a gostar daquilo que conhecemos. Talvez se procurasse dançar ao ritmo das suas escritas pudesse enxergar as possibilidades que o novo é capaz de nos presentear. Com carinho, Isadora.


De herc a 12 de Abril de 2009 às 04:08
porque não deixam o homem em paz? não é cada um livre de dizer o k pensa mesmo nem pensando o k diz?
eu já tive de ouvir muita gente a dizer k não gosta de Saramago ou... de mim... lol
acho k a Lídia Jorge não se importa - a obra lhe basta
cumprimentos
herc


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