Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Domingo, 17 de Dezembro de 2017
as dolinas (do meu parafuso)

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A água, sempre a água.

- Sim, é por isso que os cientistas se preocupam tanto em encontrar água nos planetas que descobrem.

- Mas tanta chuva já é demais.

- A chuva nunca é demais. É como o amor ou a preguiça.

- Que comparação mais sem sentido.

- O mundo faz-se com a preguiça, uma camada de emoção e muita chuva. Bem sabes que “verdes são os campos da cor do limão”.

- Para além da luz, do sol e da vontade.

- Filosofas! Diz um. Gregos sentados ao luar, sobre as rochas de um tabernáculo, diz o outro. Que alguém nos acuda!

Gregos ou Judeus?

João e José olham despreocupados o horizonte.

Olham as ruinas de Harappa.

Mil e cinquenta e seis cidades desaparecidas depois de um período de grande florescimento. Há mais de seis mil anos.

Não, não foi ontem, nem foi de um momento para o outro.

É muito mais do que uma faúlha.

Os desaparecidos, sem explicação sempre fascinaram estudantes, companheiros, homens sem casa, arqueólogos, curiosos, desocupados. Um pouco de cada coisa um pouco de tudo e no fundo – como sempre é – nenhuma coisa que se possa colocar em palavras.

Apenas fascínio.

Quando os desaparecidos são civilizações…

Assim, são João e José. Nomes, nem bíblicos nem artísticos, apenas nomes.

As palavras surgem como que por magia.

- Palavra do Senhor!

Ouve-se, mas não se acredita.

Se o senhor tivesse dito aquilo eu teria ouvido. Eu, estava lá.

A blasfémia não tem sentido, é um conceito inventado pelo Homem.

Aqui, em Harappa, onde as palavras escritas ainda não existiam, a palavra dita deu origem a uma religião.

- Sim a religião Védica! Mas como comunicavam eles entre si?

- Há tantos mistérios por desvendar… não sei!

(nunca se diz não sei, revela falta e ausência de conhecimento, o que não é conveniente. Quando não se sabe, inventa-se)

- Neste lugar, a cabeça de um parafuso terá gerado uma dolina, depois um micro clima, uma conjugação de sorte e azares criaram a harmonia.

- Sim a água escorria pelas valetas, havia esgotos e piscinas para banhos. As casas eram abastecidas. Os espaços públicos largos e semelhantes, uma sociedade sem castas…

- Onde as castas, agora florescem. Uma coisa e o seu contrário sucedem-se no tempo, durante o tempo, através do nós.

- Aqui, há nove mil anos já havia a roda.

- Sim o clima é um factor de mudança, de desenvolvimento e de retrocesso.

- Repara, naquelas rochas, naquela vegetação. Quem diria que por ali já correu um rio?

Cabras pastam na mansidão do espaço seco.

Tudo em redor é secume. Existem pequenos oásis, mas do sítio onde estamos não se avistam.

Não se descobre pastor.

A terra é grande e seriam precisos dias para a percorrer, mesmo em veiculo todo-terreno. Isto só para circunscrever uma zona que pode ter sido a dolina.

Nada é certo. Quem tem certezas, tem mais incertezas acerca de tudo, do que os que questionam. 

Afirma, para depois duvidar, melhor seria que duvidasse primeiro. Assim fazem os nossos actores, quais declamadores em palco, pois nem figuras míticas, históricas ou actuais são.

Dois pobres actores desempregados que emprestam rosto, corpo e imagem a um experimentalismo cénico.

Há livros numa estante sobre Mohenjo Daro. Teorias. Apostas, discursos arqueológicos.

- O rio secou há muitos anos. Saravasti era o seu nome.

- Sim, foi possível radiografá-lo do espaço. Descobrir-lhe o percurso e as cidades que se foram erigindo na sua passagem.

- Hoje tudo é possível.

- Quase tudo!



carlos arinto maremoto às 09:35
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