Pequenas opiniões sobre quase tudo que servirão para quase nada
Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017
Demanda

Bernardien Sternheim-2001.jpg

Procuro poetas na frutaria do meu bairro.

Sim, porque os poetas devem ter o sabor da fruta

E o cheiro das coisas naturais, belas e perenes.

 

Procuro poetas na florista do meu bairro.

Pensando que os poetas devem ter as cores de todas as flores

O perfume de todas as pétalas e a liberdade fresca e delicada

De todas os matizes que a natureza oferece com espontaneidade.

 

Procuro poetas por entre os operários que saem da construção

Ou da fábrica de montagens ou da oficina do artesão

Porque os poetas podem estar em todo o lado e são gente

E são anónimos disfarçados de profissão emprestada.

 

Procuro poetas nas livrarias, onde me dizem que estão

Mas não encontro poetas por entre as páginas de livros arrumados

Nem ao balcão ou nas estantes despenteadas por visitantes cansados

Não! Não os encontro lá. Nem os vejo na rua que cruzo e descruzo

Passando, andando, perdendo-me por lá.

 

Procuro poetas à beira do rio, entre as searas, por detrás dos crucifixos

Em monumentos, em museus, em cidades asfaltadas ou vilas e aldeias

Apenas com uma taberna, por entre serras e planuras,

Em grutas, em copas de árvores, em mistérios e ministérios 

Mas em todos os lugares que procurei, não os encontrei.

 

Resta-me procurar entre os poetas mortos e percorrendo jazigos

Encontro aquilo que persigo, poetas consistentes, poetas sorridentes

Poetas urgentes. Foi o tempo que os tornou poeta? Foi a morte?

Foi a saudade? Foi a poesia que os remendou? Não!

 

Foram apenas lágrimas, sensibilidade, olhares e rumores de causas

Que em cristal se sedimentaram e em luz se converteram. Uma faísca

Um vislumbre. Todo o resto é ciúme. E sento-me a pensar…

 

Ser poeta é cavalgar? É ver o Mundo com olhos diferentes?

É gostar de ser gente, mas também espaço, liberdade e essência?

Pode-se ser poeta, não gostando de poesia? Que é isso de ser poeta

E escrever…  frases, palavras, fragmentos de uma elipse do olhar?

 

Ser poeta é epitáfio, espuma, nevoeiro, maré, alvorada

Ou noite cerrada. Poeta vivo é estilhaço. Morto é granada.

Poeta não é profissão. São os outros, que o reconhecem, eu…

Não!

 

 



carlos arinto maremoto às 15:31
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