Depois da missa,
O som, sempre igual, monótono e constante
Arranca devagar... Pára, continua, acelera, volta a parar
Arranca em soluços, suspira, tem intermitências,
Salta em decibéis iguais, uiva aflito,
Continua em esticão e vai-se prolongando pela manhã
Como uma lâmina que separa as horas e limpa as terras
Hortas, canteiros com flores, árvores de fruto,
Matos selvagens, ervas eriçadas, urze, rosmaninho
Todo um novelo de fios que se entrelaçam no verde
Salpicado por azuis, amarelo, roxos, brancos e violetas.
Ramos, pernadas soltas, ervas e arbustos decepados
ficam em monte misturador com molhos de caruma.
Algumas pedras saltam e rolam escarpa abaixo
Em cardume, em bando em manada todos se espantam dali.
Restam verduras a secarem ao sol, paus, galhos,
Logo mais, estrume e vegetais em decomposição
Fica o chão seco, raso e o som dos ofícios extingue-se.
É hora do almoço. A pique, o sol encanta, e as gargantas
Deliciam-se, finalmente, com o vinho maduro e a água fresca.
É assim, a vida no campo. Domingo, sem descanso.
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