Um qualquer barulho de motor trespassa a serra,
O arvoredo, as galinhas, a passarada e as ovelhas
Como se de trator, se tratasse, ou moto, ou serra de corte
Bomba de recolher água em poço profundo,
Talvez roçadoura de lâminas afiadas,
Um roncar insistente, uma troada
Que mancha o silêncio e a quietude do apaziguamento
Confinado nestes vales onde até o ladrar de um cão
Nos sobressaltada.
Depressa nos habituamos.
O ronco pára tal como começou
Subitamente.
Já nem nos lembramos que existiu e que nos assustou
Desapareceu, tal como chegou, com a urgência da serra
Antigo serrote movido a combustão de ruidoso propulsor
Que corta a madeira e terminada a função se cala.
A lenha será fogueira e lume
E o barulho crepitar.
A tarde adormece com zumbidos de abelhas
E chocalhos de badalos do gado a recolher aos currais.
Tudo volta ao normal. Há um fumo no palheiro
Tudo o resto é silêncio.
Passa uma vizinha que me saúda, magra como agulha
E fica a noite companheira deste abandono
Debaixo de uma luz mortica, de candeeiro rodeado de asas
De insectos que se aproximam circulando em volta.
O barulho da serra é agora um murmúrio
Alguns pios de pássaros e as copas das árvores em abano
Nada resta do tronitroar.
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