Amarrado com cordas
Despenteado
Caindo em qualquer lado
Peregrino alucinado
Procurando a noite
De todos os sossegos.
A febre não me deixa respirar
Tenho a garganta,
Os pulmões e os ouvidos
Esmagados.
Os olhos desapareceram
O nariz é puro sangue
E a boca assemelha-se
A um intestino.
Estou derrotado.
Neste barro amassado
Onde já nada se destingue
Vejo as mãos como fios,
Cordames de aranhas em teia
E nos pés uma raiz que se afunda.
Já não sou o que era
Desfaço-me em cada bofetada
Do mar,
no chicotada que o vento trás
E o sol abre em ferida que crosta.
Já não sou.
A tortura é minha.
Consigo escapar das cordas
fugo derretendo-me
E no rasto das feridas
Escrevo "piedade"...
Ninguém me ouve, nem quer saber.
Então, caído, em lágrimas
Subo às nuvens e desabo em tempestade.
Estou vingado.
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