Deixo-me ir com o vento
E viajo
Arrastado por sopros
Empurrado em supetão
Por impulsos
Em revolteio
Em planado voo flutuando
Por espaços rasgados
Entre o cimo e o chão.
Deixo-me ir
E sou parte do vento
Da fúria, da tempestade,
Da peregrinação
Do fuso, do remoinho, do tufão,
Aqui, e em todo o mundo
Desaquieto-me e sem amarras
Tropeço, chocando comigo
Em contra-mão
(que também sou gente
Corpo, energia, puzzle de muitos
Inventos... Construção)
Em espiral como um parafuso
Tonto de rodopiar
E saciado de tanto viajar
Repouso finalmente.
Vou, finalmente, descansar!
Não!
Vou reatar
Quero de novo viajar
Ir com o vento, ser faúlha
Fruto, folha, chuva
Terra, céu, ar.
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