Termino a leitura de um livro
Já morreram todos, já todos foram à enterrar
Triste desfecho, tantas páginas e aflições
Para acabar tudo morto.
O autor escreve bem.
É claro, sucinto, usa as palavras para mexer
Connosco, com os personagens, com a vida,
Mas exagera estraçalhando tudo e todos
Deixando-me arrepiado triste e desconsolado
Gostava mais de um fio de azeite a crepitar
Lambendo as páginas, sem fazer mal, porém...
Tudo ali é mecha, explosivo, tubarão no mar
O autor não deixa ninguém escapar
É torcidário, filho da violência e matador compulsivo
De chacina em chacina vai somando fuzilamentos,
Suicídios, sovas, porrada e com água ou veneno
Todos morrem por um acaso, uma desatenção
Em percalços e bulhas de famílias às avessas.
Vou deixar que o retrato se apague da memoria
E que o escuro da ficção seja um mau momento da criação
E alguém sobreviva para contar :
Sim o mundo por vezes é assim!
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